Depois da reunião de ontem com o governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), o prefeito de Londrina Alexandre Kireeff (PSD) deixou de considerar o eventual apoio financeiro do Estado para decidir sobre o valor da passagem do transporte coletivo na cidade. Na primeira reunião de trabalho no Palácio Iguaçu, o prefeito ouviu que o repasse vai ser analisado e a resposta deve sair somente em abril. ''Eu já tinha essa impressão de que seria difícil esse benefício agora, mas era preciso formalizar esse nosso pedido oficialmente junto ao governador, por se tratar de um assunto importante para Londrina'', disse Kireeff à FOLHA logo após o encontro.
O prefeito afirmou que o governador questionou sobre a integração do transporte na Região Metropolitana de Londrina - ainda só no papel -, embora não tenha sido esse o motivo para adiar a decisão sobre o subsídio. Se houvesse apoio do Estado, o impacto para os cofres municipais e para os usuários seria menor. Agora, a definição sobre a tarifa depende exclusivamente da consulta feita à Procuradoria-Geral do Município.
Kireeff afirmou que tem dúvidas quanto à aplicação da lei que prevê o subsídio. Dependendo do parecer jurídico, o prefeito admite até reduzir o repasse às empresas - hoje, cerca de R$ 7 milhões ao ano - com um contingenciamento administrativo. ''Fiz esse questionamento ao nosso procurador.'' O prefeito pretende anunciar a sua decisão ainda nesta semana.

Pauta
Sob pressão de outros municípios do Paraná, Beto pediu tempo no início desse ano para estudar o que fazer com o transporte coletivo do interior, depois de garantir R$ 23,8 milhões para Curitiba nesse primeiro semestre. Esse recurso está servindo para manter a tarifa da capital congelada, e será desembolsado integralmente no primeiro semestre. Em 2012, o subsídio para a frota de ônibus da capital superou R$ 40 milhões. ''Temos um grupo técnico avaliando as alternativas de apoio do governo às cidades que possuem sistemas organizados de transporte coletivo'', disse Beto durante a reunião.
Beto Richa considera investimento direto na cidade R$ 27 milhões utilizados para indenizar áreas atingidas pelas obras no aeroporto regional e R$ 93 milhões destinados à duplicação da PR-445. Beto também citou o dinheiro investido pela pasta de Ciência e Tecnologia no Cine Ouro Verde. Cerca de R$ 500 mil empenhados em julho do ano passado para a manutenção preventiva da área destruída pelo incêndio, ''necessária para permitir a recuperação do local''.
O governador lembrou a Kireeff da instalação de uma Unidade Paraná Seguro (UPS) na região e de uma Delegacia de Homicídios. Dados da Secretaria de Estado da Segurança Pública, sobre recursos aplicados na cidade, listam o prédio do Instituto Médico Legal (R$ 5,4 milhões) e R$ 5,5 milhões para uma sede local do Instituto de Criminalística, a ser construída nesse ano. A Sanepar disse ter colocado outros R$ 145 milhões na cidade, gastos na Estação de Tratamento Guarani Norte e na duplicação da Estação Tibagi, ainda em andamento.

RML
Ao contrário do que foi informado pela assessoria de imprensa da Prefeitura de Londrina na segunda-feira, não estiveram na pauta da reunião de ontem as demandas elencadas pelos prefeitos da região. ''Foi uma agenda apenas de Londrina. Quanto aos demais pedidos que temos, vamos elaborar um documento oficial e apresentar ao governador num outro momento'', explicou Kireeff.

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