Resposta equivocada de prefeito leva a uma investigação Arquivo FolhaA CIDADEBela Vista do Paraíso também é alvo de agitação política por causa de denúncias de irregularidades Patrícia Zanin De Londrina Em Bela Vista do Paraíso (40 km a norte de Londrina), uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) investiga a responsabilidade do prefeito Florindo Palú (PTB) em desvios e fraudes na Câmara, quando ele foi presidente do Legislativo, em 95 e 96. A comissão começou a trabalhar no ano passado e ainda não concluiu os trabalhos, mas o presidente da CEI, João de Araújo (PSL), afirma que existem ‘‘provas concretas de que houve fraude’’. ‘‘Só não é possível saber ainda quem as praticou’’, explica o vereador, cauteloso. Até agora, a comissão ouviu quatro pessoas, mas ele acredita que pelo menos 20 sejam chamadas para depor. De acordo com Araújo, a comissão foi criada depois que o prefeito respondeu equivocadamente a um pedido de informações feito pela Câmara. Segundo o vereador, o Legislativo pediu explicações a Palú sobre os atrasos no pagamento dos salários dos servidores municipais, da Câmara e dos vereadores, quando o prefeito respondeu que na gestão passada também houve atraso. ‘‘Ao consultarmos documentos da Câmara, verificamos que não houve atraso em outra gestão e detectamos notas fiscais com adulterações grosseiras’’, explica. Segundo ele, as notas incluem, por exemplo, a troca do número um pelo número quatro, além de valores abusivos no pagamento de despesas do Legislativo. Um dos casos analisados é de um Sedex enviado pela Câmara a Curitiba, cuja nota fiscal saiu no valor de R$ 175,00. ‘‘Consultamos os Correios e o envio do envelope sairia por, no máximo R$ 6,00’’, informa Araújo. A CEI ouviu Palú no mês passado. Segundo o vereador, o prefeito reconheceu a existência de irregularidades nas finanças da Câmara em sua gestão de presidente, mas não admitiu ter responsabilidade. ‘‘Ele afirmou que está aguardando a conclusão dos trabalhos da Comissão’’, diz Araújo. O ex-presidente na gestão de 93 e 94, Renato Abelha, também foi ouvido e admitiu irregularidades, segundo Araújo. ‘‘Mas disse que não autorizou nada.’’ A Comissão deve chamar para depor o ex-diretor de Finanças da Câmara Benvindo de Oliveira, que hoje é secretário de Administração da prefeitura. Também serão convocados fornecedores e funcionários. A CEI ainda não calculou o valor dos desvios. O prefeito disse à Folha que ‘‘desconhecia completamente as irregularidades até ver os documentos na Câmara quando foi prestar depoimento’’. ‘‘Vi com os meus próprios olhos que houve adulteração. Se tivesse conhecimento na época, eu tinha aberto um inquérito administrativo e apurado.’’ Ele se eximiu de responsabilidade e disse que tinha ‘‘secretários, assessores e cargos de confiança’’. ‘‘Deixava cheques assinados para pagar contas, mas não sei quem pode ter cometido os erros porque a secretaria ficava aberta, praticamente todo mundo tinha acesso’’, afirma. Palú garante ser o maior interessado na apuração dos fatos e elogiou o trabalho da CEI. ‘‘Quero até parabenizar os vereadores por esse interesse pelo bem público.’’