Resposta difícil
É da responsabilidade, sim, do Poder Judiciário prevenir e combater anomalias como as praticadas na campanha presidencial com os disparos das "fake news". Seu poder de intervenção e manipulação é tão grande que houve inversão da maior taxa de rejeição ora lideradas, o que parecia impossível, por Fernando Haddad. Houve convocação para que junto com a presidente do TSE, Rosa Weber, se manifestasse também o ministro da Segurança, Raul Jugman, a quem, de certa forma, cabe a vigilância contra a patologia detectada e também a Raquel Dodge, Procuradora Geral da República.

Fica evidente que estamos diante de um fato novo e de complicada regulação, mormente por ser um fenômeno que esteve presente na eleição norte-americana e cujo impacto também foi devastador. Por sinal que nas vezes em que a justiça interveio por questões de segurança e de ação criminosa, as operadoras simplesmente rejeitaram, inconformadas, o rompimento do fluxo de interações que envolviam organizações como Comando Vermelho e PCC.

O fato é que está em jogo um ilícito criminal, perfeitamente configurado, e que vicia o processo eleitoral, desequilibrando-o em favor de um anonimato afinal tolerado pelo sistema e contra o qual há dificuldades severas para a contenção e a repressão. Se a autoridade judicial levou tanto tempo para dirimir uma dúvida primária quanto a de Lula se habilitar como candidato mesmo sentenciado, dá para imaginar o emaranhado de dificuldades que teremos agora. E a preocupação em dar uma resposta firme a uma questão nebulosa já está presente no fato de a entrevista marcada para esta sexta-feira (19) ter sido transferida para domingo (21), às duas horas da tarde.

Da toga à gangue
Na verdade não há exercício de política eleitoral sem malicia. Aqui tivemos casos como o do Ferreirinha, diante do qual a justiça eleitoral se mostrou inepta. Para lembrar as origens mais remotas da palavra candidato, ela era cercada de uma visão de pureza na Roma clássica que os participantes do processo eleitoral, para chamar a atenção do povo, usavam uma vestimenta branca e brilhante vista como toga cândida. Fica chocante esse conceito diante do que se faz em eleições, cujo pecado máximo reside em perder.

Se há um instrumental como o do WhatsApp e Facebook é perceptível que quem o dominasse levaria vantagens e não se enfrenta a carga da fake news (no passado distante a pichação nos muros), com ingenuidade e passividade. A justiça está colocada numa situação-limite, pelo jeito não temos ainda um herói tecnológico, um super dotado James Bond para encarar a sacanagem com know how.

Um susto
No funcionamento da UPA, Unidade de Pronto Atendimento, do Pinheirinho, em Curitiba, percebeu-se que a maioria dos usuários era de portadores de deficiência mental. Captou-se que cerca de 70 portadores diários dessas anomalias procuravam atendimento, daí porque chegou-se à conclusão de que seria indispensável transformá-la em atendimento especializado a partir de novembro.

Sequelas
Ainda a sequela das enxurradas e vendavais no Paraná: 3.700 pessoas atingidas e 120 mil casas sem energia em função da ruptura da rede.

Resposta dura
Na representação que vem sofrendo por parte do Conselho Nacional de Justiça, por parte dos petistas, o juiz Sergio Moro acusou-os de pretenderem o "controle social" do Judiciário e em relação à parte divulgada da delação de Antonio Palocci lembrou que ela não era nova, já havia sido divulgada e se referia a um sentenciado (Lula) que nem candidato é.

Tradição
Uma das questões mais levantadas nos anos 50 e 60, para contestar as eleições, era o da maioria absoluta que veio a consagrar-se no sistema de dois turnos. Fala-se que em 1955 teria havido, em nome desse fundamento não inscrito em lei, um golpe contra Juscelino Kubitschek, derrubado com a intervenção dos generais Teixeira Lott e Odílio Denis. Uma das expressões que tentaram justificar a ação militar tinha o nome de "movimento de retorno aos poderes constitucionais vigentes". Atribui-se o saque a uma frase de Otto Lara Rezende em entrevista com o general Lott para a revista "Manchete"
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O pepino atual da manipulação tecnológica do pleito - a enxurrada de fake news - é bem mais sofisticado e a resposta da autoridade é aguardada com ansiedade duas horas antes do futebol.

Folclore
Como se discute agora o estado de saúde do capitão reformado para justificar sua ausência dos debates, sempre houve desconfiança com o afastamento por exemplo de Café Filho com os adversários dizendo que era coisa aprontada e também se criou celeuma com o Ney Braga quando submetido a uma cardiocirurgia com a afirmação de que levara um tiro no traseiro, caricatura dos inúmeros adversários que perdiam todas, mas não abriam mão da injúria.

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