Resgate dos corpos demorou 100 horas
Curitiba - A operação de resgate dos quatro corpos, sob responsabilidade da Força Aérea Brasileira (FAB), foi concluída ao meio-dia, com o apoio do Corpo de Bombeiros estadual, depois de quase 100 horas. Um helicóptero da FAB içou os corpos, ensacados, que somente depois de quatro dias foram retirados no local do acidente de avião, entre os morros do Rolado e do Agudinho, região de Guaratuba. O monomotor bateu sábado, de frente no morro, e ficou com a cabine e parte da fuselagem enterrada no solo.
A demora foi por causa do mau tempo, que permaneceu fechado no Litoral. Isso impediu que os helicóteros da FAB decolassem do aeroporto de Joinville, Santa Catarina, base da operação por ser próximo ao acidente. Por terra, o resgate foi descartado, já que a mata é densa na região.
Estavam no avião, além de Martinez, 55 anos, o piloto Cláudio Luiz da Luz, 25 anos, e os amigos do deputado André Surugi, 33 anos, e João Luis Goebel, 48 anos. Os corpos foram entregues em Guaratuba, onde as urnas e o veículo do Instituto Médico Legal (IML) de Curitiba esperavam. Desde terça-feira, os quatro corpos estavam prontos para serem transportados, o que não ocorreu naquele dia por causa do mau tempo. Apenas o corpo do piloto foi encaminhado para Santa Catarina, onde mora a família dele.
O monomotor da Maule Aerospace prefixo PT-OTR perdeu o contato com o Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego (Cindacta) 15 minutos após a decolagem no aeroporto do Bacacheri, em Curitiba. O avião saiu às 9h23 de sábado, com destino ao aeroporto de Navegantes (SC). Acredita-se que Martinez pretendia passar o final de semana na praia, pescando com os amigos. A família tem um apartamento no balneário de Piçarras (SC), para onde o deputado costumava ir nos finais de semana.
Quatro militares da Aeronáutica permanecem no local do acidente na Serra do Mar. Eles vão recolher os pedaços da aeronave, que ajudarão na investigação das causas do acidente. A perícia deve demorar cerca de 90 dias, prazo que pode ser prorrogado. A investigação está a cargo do pessoal do Departamento de Aviação Civil (DAC) e do Serviço Regional de Aviação Civil.
Na segunda-feira, a Aeronáutica emitiu nota responsabilizando o piloto Cláudio da Luz pelo acidente. No entanto, o irmão do deputado Martinez, Flávio Martinez, discordou, ressaltando a competência do piloto, que trabalhava para a família há cerca de três anos.(M.D.)





