Curitiba - Indignado com a recente multa de R$ 200 mil após ter descumprido determinação do Tribunal Federal da 4 Região (TRF-4) de não utilizar a estrutura da TV Educativa para atacar adversários políticos, o governador Roberto Requião (PMDB) voltou a criticar a suposta ''censura'' que estaria sofrendo por meio dessas punições. A multa foi imposta pela Justiça Federal atendendo a pedido do Ministério Público Federal (MPF)
O desabafo ocorreu na manhã de ontem durante a escola de governo, realizada no Museu Oscar Niemeyer. Requião iniciou a cerimônia afirmando que soube pela imprensa que o MPF teria pedido o sequestro de suas contas bancárias. Segundo ele, o salário de governador não é baixo, mas é insuficiente para pagar a multa, que ele classificou como ''coação'' e ''chantagem''. ''Vamos ver até onde vão essas multas'', desafiou.
Requião também usou a reunião para atacar o ex-governador Jaime Lerner e o ex-presidente da Copel, Ingo Hubert por supostas irregularidades na estatal paranaense de energia, que durante a gestão passada teria sido lesada em R$ 104 milhões ao aceitar deliberadamente títulos públicos ''frios''. Ele ofereceu a próxima reunião de governo para que Lerner explique os fatos.
O MPF informou ontem à tarde que continua acompanhando todas as edições do programa ''Escola de Governo'', veiculado pela Rádio e Televisão Educativa às terças-feiras pela manhã. O governador permanece proibido pela Justiça de utilizar o programa para promoção pessoal, ofensas à imprensa, adversários políticos e instituições. Caso sejam constatadas irregularidades no último programa, a Procuradoria vai pedir nova multa de R$ 200 mil.
''A imprensa noticiou, em diversos programas de TV, rádio e jornais online, que o governador utilizou indevidamente a Escola de Governo de 8 de julho, fazendo novas críticas ao Ministério Público e ao Judiciário. Para o MPF, tal atitude do governador ratifica o uso inapropriado de uma rede de Rádio e TV estatal e corrobora a conduta da Procuradoria da República no Paraná e do Judiciário'', diz nota do MP federal.

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