Requião volta a defender saída do governo Lula
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sábado, 08 de janeiro de 2005
Rodrigo Sais<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Único governador a comparecer à reunião da direção do PMDB em São Paulo, Roberto Requião voltou a defender ontem a independência do partido em relação ao governo federal. Embora os seis governadores da sigla tenham sido convidados para o encontro, só o paranaense compareceu. Os governadores de Pernambuco, Jarbas Vasconcelos, e do Rio Grande do Sul, José Fogaça, enviaram representantes. Já os governadores de Santa Catarina, Luiz Henrique, e do Distrito Federal, Joaquim Roriz, não enviaram ninguém para representá-los.
Segundo Requião, a independência do governo Lula já é uma clara corrente majoritária no PMDB, que deve ser ratificada nos próximos dois encontros agendados pela sigla: uma reunião dos prefeitos peemedebistas em Brasília, no dia 2 de março; e um seminário, no dia 17 de março, também na capital federal. No início de dezembro do ano passado, o partido decidiu em convenção pela ruptura com o governo Lula, mas a ala que defende a manutenção da aliança com o PT conseguiu anular o resultado da convenção na Justiça.
Com o evento desprestigiado pelos demais governantes estaduais do PMDB, Requião aproveitou para expor as idéias contidas em um documento elaborado pelo ex-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Carlos Lessa. O documento foi elaborado após conversas entre Lessa, Requião e outros adeptos do nacionalismo. O manifesto, apesar de conter poucas idéias realmente novas, tornou-se a nova menina-dos-olhos de Requião, que ordenou a distribuição da peça a vários políticos, economistas e intelectuais.
O governador do Paraná também aproveitou a oportunidade para opinar a respeito da eleição para presidente da Câmara dos Deputados, que acontece em fevereiro. Requião defendeu a candidatura de Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP), que tem o apoio do presidente Lula. ''Greenhalgh é um excelente deputado e uma pessoa corretíssima'', disse o governador, afirmando que gostaria mesmo de ver uma candidatura do PMDB à presidência da Casa, mas que agora já não há mais tempo para essa articulação. O principal adversário de Greenhalgh, curiosamente, é um membro do próprio PT: o mineiro Virgílio Guimarães, que tem trânsito melhor entre os parlamentares.
Durante a reunião, o presidente nacional do PMDB, Michel Temer (SP), Requião e o ex-governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho, discutiram também a decisão da Justiça que invalidou a convenção nacional da legenda realizada no dia 12 de dezembro. Eles definiram que o partido vai aguardar o recesso da Justiça para que o mérito da ação sobre a convenção seja julgado pelo Tribunal de Justiça (TJ) do Distrito Federal. Por conta disso, o partido não deve marcar uma nova convenção nacional. ''Até o julgamento do mérito da ação, em fevereiro, a validade da convenção está suspensa, mas não eliminada'', afirmou Temer.
O Supremo Tribunal Federal (STF) negou recurso contra decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que já havia declarado a nulidade da convenção. A liminar do STJ - que atendeu a um pedido do vice-líder do governo no Senado, Ney Suassuna (PMDB-PB) - suspendeu a decisão do presidente do TJ do Distrito Federal. (colaborou Folhapress)


