''Olha lá, eles se dão bem, estão até um ao lado do outro!''. A frase foi dita ontem por um assessor do governador Roberto Requião (PMDB), durante a inauguração da filial farmacêutica da indústria alemã Hexal, em Cambé (leia mais sobre o evento na Folha Economia). Além de Requião, o outro personagem apontado foi o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, recentemente alvo de críticas do governador devido às taxas de exportação determinadas pela Lei Kandir.
Durante praticamente todo o tempo em que estiveram sentados lado a lado, Palocci e Requião fizeram questão de parecer amigáveis. Porém, a impressão seria quebrada logo depois, quando as críticas às taxações da União deram o tom ao discurso do peemedebista.
''Pela primeira vez somos o segundo estado exportador do Brasil, ultrapassamos Minas Gerais e o Rio Grande do Sul'', apontou Requião para, em seguida, se referir diretamebte ao ministro: ''Isso é bom e também é ruim, e se vossa excelência persiste em não aumentar os juros de exportação, perdemos por exportar, pois exportamos mais e arrecadamos menos''.
Além de Palocci, Requião dirigiu críticas também a integrantes da imprensa nacional que o criticaram pelas mudanças de contrato, ano passado, firmados com empresas estrangeiras prestadoras de serviços ao Estado. Ele se referiu à espanhola Endesa e à argentina Cien ambas do setor de energia , cujos contratos foram suspensos e renegociados, e à norte-americana El Paso, com a qual houve quebra de contrato. Os veículos citados por Requião defenderam que a iniciativa espantaria inventimentos externos do Paraná, em medida classificada por ele como atitude de ''gente detratora''. ''O Paraná convive extraordinariamente bem com qualquer investimento estrangeiro que pretenda se estabelecer no nosso território. Não temos temos intermediários, políticos, deputados, agentes ou despachantes. As coisas são claras e não se alteram por pressão'', disse.
O final do discurso foi novamente direcionado a Palocci, em paráfrase a uma frase atribuída a Santo Inácio de Loyola. ''Façam tudo, como se tudo dependesse de vocês. Esperem tudo, como se tudo dependesse de Deus'', lembrou, para arrematar: ''Eu diria ao povo do Paraná que espere tudo como se tudo dependesse do ministro Palocci''.
O ministro da Fazenda devolveu as declarações do colega em clima de otimismo com relação à economia do País: ''Peço o compromisso das pessoas quanto à carga trtibutária e ao desenvolvimento, bem como o apoio dos estados nas exportações e no compromisso com o aperfeiçoamento dos tributos'', apontou. Pouco antes, os presidentes alemães da Hexal haviam criticado a carga tributária brasileira e receberam fortes aplausos dos empresários presentes. Palocci garantiu ter entendido e ainda fez uma promessa: ''Captei a mensagem e vou levá-la ao presidente Lula.''

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