Requião volta à ativa e ataca Sciarra
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terça-feira, 03 de abril de 2007
Luciana PomboEquipe da Folha 
Curitiba - O governador Roberto Requião (PMDB) voltou ontem a comandar a reunião semanal do secretariado - depois de dias afastado devido uma infecção urinária - com denúncias contra a gestão da Paraná Ambiental durante o governo Jaime Lerner (PSB) e contra o deputado federal Eduardo Sciarra (PFL-PR). A denúncia, objeto de ação proposta em 2003 pelo Ministério Público (MP) estadual e que tramita no Tribunal de Justiça (TJ), aponta a venda da Fazenda Leonópolis, em Inácio Martins, no dia 17 de julho de 2001, por valores subfaturados.
Segundo Requião, a transação teria ocorrido com o aval do então presidente do Conselho Administrativo da Paraná Ambiental, Eduardo Sciarra (que era secretário de Estado de Indústria e Comércio). ''O Eduardo Sciarra fica falando que a TV Paraná Educativa deveria ser fechada. Ele que cale a sua boca. Ele tem que dar explicação para o Ministério Público. Peço para que o Ministério Público dê uma atenção especial para este caso. Até agora, tenho desvendado vários golpes feitos no governo anterior e ainda não responderam pelos seus crimes'', afirmou Requião.
O atual presidente da Paraná Ambiental, Djalma de Almeida César, explicou que a fazenda, de 1.395 alqueires, pertencia à Madeirit Agro Florestal S/A e foi dada em dação de pagamento ao Banestado entre 1996 e 1997. Em fevereiro de 2000, por conta do saneamento do Banestado, o Paraná comprou a área por R$ 5,3 milhões.
Em março de 2001, os ativos adquiridos do Banestado foram transferidos para a Agência de Fomento - que teria pedido a intervenção da Paraná Ambiental. Em julho, a Paraná Ambiental assinou acordos de comodato e remuneração do empreendimento, cabendo a ela um valor de 30% do líquido recebido com a fazenda. Doze dias depois da transação, em 17 de julho de 2001, a Ambiental vendeu o reflorestamento para duas empresas por R$ 3,2 milhões. Requião determinou uma auditoria na transação que constatou um subfaturamento na ordem de R$ 18 milhões.
A Secretaria de Indústria e Comércio e a Procuradoria Geral do Estado fizeram um acordo com as empresas para o pagamento dos valores levantados pela auditoria. Houve o embargo do corte da madeira até o acordo final. As empresas pagaram R$ 9 milhões em dinheiro, R$ 6,8 milhões referentes a obrigação de reflorestamento num prazo de cinco anos e R$ 2,1 milhões de devolução de madeira que seria usada em um projeto de desfavelamento da Companhia de Habitação do Paraná (Cohapar). ''Há necessidade de punição de quem vendeu a área'', disse Requião.
O Núcleo de Repressão a Crimes Econômicos (Nurce) também instaurou um inquérito criminal.


