Brasília - O senador Roberto Requião (PMDB-PR) prometeu ontem entrar com um mandado de segurança com pedido de liminar no Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar anular a convenção nacional do partido, que aconteceu em Brasília. Requião foi derrotado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na madrugada de ontem por uma liminar do presidente do tribunal, ministro Nelson Jobim, que derrubou a decisão anterior que suspendia a convenção do PMDB.
Ontem pela manhã, a Executiva Nacional do PMDB decidiu incluir na cédula de votação da convenção a pergunta sobre a candidatura de Requião à Presidência da República, além da proposta de coligação com o PSDB e a indicação da deputada Rita Camata (PMDB-ES) como vice. Até anteontem, o questionamento sobre a pré-candidatura de Requião só seria apresentada aos convencionais do partido caso a tese da coligação com o PSDB fosse derrotada.
Além de criticar o fato de estar competindo com o pré-candidato José Serra (PSDB), um candidato até então não-homologado pelo seu próprio partido, Requião defendeu que deveria constar na cédula de votação a opção de o partido não ter candidato e ficar livre para coligar nos Estados.
A candidatura de Serra foi oficializada ontem na convenção nacional do PSDB, que também aconteceu em Brasília.
Requião não poupou críticas à decisão do presidente do TSE, ministro Nelson Jobim, que permitiu a realização da convenção ao derrubar uma liminar dada pouco antes pelo também ministro do TSE, Sálvio de Figueiredo. ‘‘Tenho que elogiar a Justiça brasileira. O ministro Nelson Jobim trabalha até a noite e com rapidez para defender os interesses da Justiça. É impressionante a rapidez do nosso Judiciário’’, disse Requião, com ironia.
Em tom agressivo, Requião também atacou o governo Fernando Henrique Cardoso, o candidato José Serra e ministros. O senador só interrompeu discurso para ‘‘saudar’’ a chegada da deputada Rita Camata (PMDB-ES), indicada para compor a chapa como vice de Serra. ‘‘Meus cumprimentos para a Rita’’. Durante o discurso de Requião, apenas o presidente nacional do PMDB, Michel Temer (SP), permaneceu na mesa, pois as demais lideranças do partido, como o presidente do Senado, Ramez Tebet (MS), senador Renan Calheiros (AL), e o deputado Geddel Vieira Lima (BA), levantaram para receber Rita Camata.
Os dissidentes do PMDB que rechaçam a coligação, o ex-presidente José Sarney (AM), o ex-governador de São Paulo Orestes Quércia e o ex-deputado Paes de Andrade (CE) não integraram a mesa principal, ocupando cadeiras colocadas ao lado. No discurso, Requião condenou as críticas dos especuladores que tumultuaram o mercado financeiro nos últimos dias.
Em seguida, repetiu várias vezes que o partido deve romper com o governo, para reagir à especulação internacional. ‘‘Ruptura sim; ruptura com a especulação, com o modelo cuja a âncora, cujo fundamento, apóia-se no desemprego.’’ O resultado da convenção peemedebista só sairia no final da tarde de ontem.

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