Curitiba - Os gastos três vezes e meia maiores na campanha do governador reeleito Roberto Requião (PMDB), este ano, em relação às eleições de 2002, quando as despesas somaram quase R$ 3,6 milhões, segundo o presidente do comitê financeiro pemedebista, Milton Buabssi, tem duas explicações: as mudanças nas regras para declarar a movimentação financeira e as dificuldades impostas por uma disputa mais acirrada.
  Buabssi admitiu, no entanto, que, quando se está no poder, as facilidades para buscar apoio são maiores. Talvez, isso justifique a lista mais extensa de empresas que doaram somas maiores para a campanha de Requião. Entre elas, estão fornecedores do governo do Estado, como a Indústria de Móveis Cequipel Paraná com R$ 650 mil, a American Banknote (que fornece as carteiras de habilitação) com R$ 500 mil, a Helisul Táxi Aéreo com R$ 440,6 mil, e a Brink Mobil Equipamentos Educacionais com R$ 350 mil, que já havia apoiado na eleição de 2002. Outras como a Klabin, Banco BMG, Rosch Administradora e Gerdau foram fiéis às duas campanhas.
  A Secretaria de Estado da Administração esclareceu, por meio da assessoria de imprensa, que essas empresas têm o cadastro válido junto ao Departamento de Administração de Materiais (Deam) e são consideradas aptas a participar de licitações, o que não signfica, necessariamente, que estejam fornecendo produtos ou serviços, atualmente. ‘‘Sempre trabalhei como arrecadador de doações e sempre deixei claro para as empresas que não estamos vendendo quilômetro por 700 metros’’, afirmou Buabssi, fazendo uma analogia ao superfaturamento de obras.
  A campanha de Requião contou, também, com generosas contribuições de pessoas físicas. As maiores foram do diretor dos grupos Itambé, Fosfeira Brasileira S/A e Bematch (equipamentos de automação) e presidente da Associação Comercial do Paraná (ACP), Virgílio Moreira Filho, que doou R$ 170.650,00, e do industrial do ramo de móveis Teciomar Ábila (R$ 162 mil).
  Integrantes do primeiro escalão do governo ou de empresas como a Sanepar e Copel também estão na lista de doadores. O maior volume de doações de pessoas físicas, no entanto, é de valores menores (R$ 50,00 e R$ 100,00). Buabssi, que doou R$ 20 mil, disse que foram ‘‘contribuições voluntárias’’ de funcionários do governo. (A.L.)

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