Requião toma posse e faz críticas a Lerner
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quinta-feira, 02 de janeiro de 2003
Denise Angelo Rodrigo Sais<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A posse do governador Roberto Requião (PMDB) ontem, que assumiu pela segunda vez o governo do Paraná, foi marcada pela cordialidade entre históricos adversários políticos. Apesar das duras críticas de Requião ao governador que deixava o cargo, Jaime Lerner (PFL), os dois trocaram abraços, sorrisos e apertos de mãos. Em seus discursos no Palácio Iguaçu, sede do Executivo, Lerner e Requião reafirmaram que apesar de terem discordado politicamente durante 30 anos, mantém o respeito pessoal um pelo outro.
Na Assembléia Legislativa, a cerimônia foi rápida, conforme o programado. Com dez minutos de atraso, o presidente da Casa, Hermas Brandão, iniciou a sessão lendo a renúncia do deputado estadual Orlando Pessuti, que assumiu o cargo de vice-governador de Requião.
Em seguida, Requião fez seu juramento, prometendo cumprir a Constituição da República e do Estado, observar as leis e promover o bem-estar do povo paranaense. Já o vice-governador fez seu juramento em pé, com a mão direita estendida, visivelmente emocionado. Às 9h31, Hermas Brandão declarou empossados Requião e Pessuti.
Requião quebrou o protocolo e decidiu fazer seu discurso de posse na Assembléia, da tribuna da oposição, explicando que tinha escolhido aquele local porque tem e continuará tendo uma visão crítica da situação do Estado. No seu discurso, que durou 35 minutos, o governador empossado criticou duramente a atuação de Lerner nos últimos oito anos.
O peemedebista insistiu nos temas que foram chaves na sua campanha, como a segurança pública e o combate a fome. Requião garantiu que irá cumprir a promessa de dar leite às crianças carentes do Estado e fazer uma limpeza nos quadros das Polícias Civil e Militar. A volta do Instituto de Previdência do Paraná (IPE) e do Hospital Militar também foram asseguradas pelo novo governador.
No Palácio Iguaçu, após se despedir de Lerner e levá-lo até a porta, Requião decidiu fazer mais um breve discurso, desta vez improvisado, para complementar as críticas ao ''vendaval neoliberal'' de Jaime Lerner (PFL) e de Fernando Henrique Cardoso.
A cerimônia terminou 15 minutos antes do previsto, que era ao meio-dia. Requião pretendia acompanhar a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em Brasília, marcada para as 15 horas, mas teve que abandonar os planos. Segundo a assessoria, o tráfego áereo em Brasília estava muito congestionado, impedindo Requião de prestigiar a posse do petista.


