Patrícia Zanin
De Londrina
Dos 650 mil Ufirs (R$ 635,5 mil) em multas aplicadas pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Paraná contra candidatos que infringiram a lei eleitoral no pleito do ano passado, 27,69% – o equivalente a R$ 175,8 mil ou 180 mil Ufirs – couberam ao senador Roberto Requião (PMDB). Ele foi candidato ao governo do Estado em 98. Nesta semana, o peemedebista votou a favor da anistia das multas eleitorais aprovada pelo Senado.
O levantamento sobre o volume de multas foi divulgado ontem pelo TRE, a pedido da Folha. Não há detalhamento sobre as multas dos outros candidatos, o que deve ser informado hoje.
Além de Requião, a auto-anistia deve beneficiar outros 11 senadores, nove governadores e 69 deputados. O projeto original, do senador Gerson Camata (PMDB-ES), excluía do benefício os candidatos multados durante a campanha do ano passado que depois foram eleitos. O perdão das multas aos eleitos foi incluído na Câmara.
Requião não pôde comentar o assunto. Ele viajou anteontem de férias para Paris e só retorna no início do ano. Mas deixou sua assessoria incumbida de repercutir a anistia. Disse ter votado a favor por ‘‘legítima defesa’’ e reclamou ter sido punido indevidamente. A maioria das multas, segundo sua assessoria, foi por ele ter feito ‘‘campanha antecipada’’, o que Requião contesta. ‘‘Ele sempre era chamado para opinar sobre os governos do Estado e federal e nunca se furtou’’, informou a assessoria.
Os aliados do senador também questionam o fato de o governador Jaime Lerner (PFL), ‘‘que gastou quase R$ 400 milhões em propaganda, em três anos e meio de mandato, não ter sido multado’’.

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