A formalização do apoio do PT à candidatura à reeleição ao governo do Estado de Roberto Requião, pela coligação Paraná Forte
(PMDB/PSC), que deve ocorrer hoje, não significa - por enquanto - que o candidato pedirá votos ao petista Luiz Inácio Lula da Silva, no Paraná.
  Requião, que fez campanha ontem em Londrina, assegurou à Folha, que ainda não definiu quem irá apoiar na disputa presidencial. ‘‘Eu continuo sem definição quanto à candidatura presidencial. Estou pesando as coisas. Eu brigo pelo Paraná. Eu quero saber quais são as propostas dos candidatos presidenciais às questões prementes do Estado do Paraná, quero saber como fica o Banco Central. É o Banco Central independente, nas mãos dos banqueiros, ou é um Banco Central controlado pelo país? Quero saber como fica a política de juros. Tenho ainda uma indefinição e essa indefinição em determinado momento será rompida até porque eu tenho que votar’’, declarou. O tucano Geraldo Alckmin já declarou que apoia a candidatura do adversário de Requião, Osmar Dias (PDT).
  Para o presidente do PT no Paraná, André Vargas - que acompanhou o governador licenciado na agenda de campanha em Londrina - o posicionamento de Requião é um equívoco. ‘‘O PT e o PMDB tomaram a decisão de apoiar nossos candidatos. Depende de cada candidato definir que hora vai declarar o apoio, mas eu acho um equívoco. Requião deveria declarar logo o apoio para unificar as campanhas. Não tem condições políticas de estar na campanha do Alckmin, que já está com o Osmar. Quanto mais rápido declarar apoio (ao Lula), melhor para a campanha dele’’, avaliou.
  O prefeito de Londrina, Nedson Micheleti (PT), que participou do evento que reuniu dezenas de prefeitos da região no Hotel Crystal e em um almoço na Sociedade Rural do Paraná, acredita que é uma questão de tempo para Requião declarar apoio à Lula. ‘‘Acredito que em uma semana ele (Requião) irá declarar o apoio.’’
  Para os prefeitos e lideranças reunidas no Hotel Crystal e as mais de 1,3 mil pessoas que participaram do almoço, Requião não poupou críticas ao seu adversário Osmar Dias. ‘‘Hoje me confesso perplexo com a denúncias que atingem o candidato a vice do meu opositor. É uma coisa impressionante que se coloque em uma chapa para disputar o governo do Paraná, um cidadão com um número tão grande de acusações’’, disse. ‘‘Só uma coisa me entristece. Eu me lembro do nosso candidato opositor dizendo que queria
‘olho no olho’. Eu o convido para debate agora e ele foge feito ‘piá pançudo’. Não quer saber de discutir programa. Campanha política devia ser clara, democrática, transparente, discutindo programas, patrimônio de cada candidato. Eu e o Osmar somos de classe média, não somos ricos, ou pelo menos não éramos. Eu continuo do mesmo jeito e ele tem tem R$ 50 milhões em fazendas’’, atacou.
  Requião também lançou uma proposta de redução de impostos para ‘‘bens de consumo-salário’’. ‘‘A proposta nova é que vamos baixar o imposto interno do Paraná, que é de 18%, para 12% nos bens de consumo-salário. Aquilo que o salário compra, que você compra para melhorar a sua vida, a vida da sua família. Vai aumentar a arrecadação do Paraná ao mesmo tempo que viabilizará a compra de sapatos, roupas, liquidificadores, tudo aquilo que melhora a vida e que pode ser comprado com salário. Essa é uma proposta revolucionária como foi revolucionária a isenção (de ICMS) da micro e da pequena empresa’’, finalizou.

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