Curitiba - O governo estadual decide no próximo dia 14 de maio o destino das Usinas do Conhecimento, centro de educação e pesquisa criados pelo ex-governador Jaime Lerner (PFL) e instalados por todo o Paraná. Desde o dia 1º de janeiro, o governo rompeu o contrato com a Organização Não Governamental (ONG) Usina que tocava o projeto e cancelou o repasse de verbas para a manutenção das instalações. Na maioria dos municípios, as unidades da Usina do Conhecimento ainda estão em funcionamento, tocadas precariamente por funcionários das prefeituras locais.
Segundo o diretor da Paraná Educação, Luciano Mewes, o governo estadual não tinha o menor controle sobre as contas e atividades da Usina do Conhecimento. ''O governo repassava o dinheiro para a ONG e não sabia o que era feito com ele. A única participação efetiva do governo era um cargo no conselho da usina, através do Instituto de Desenvolvimento Educacional do Paraná (Fundepar), mas nem o acesso as contas era disponibilizado'' explicou Mewes.
Segundo o diretor, o governo não tem dados sequer sobre a construção dos edifícios que abrigam os centros de pesquisa. ''Um levantamento da Fundepar apontou que não se sabe de quem eram os terrenos onde foram construídas as unidades da Usina do Conhecimento. Não se sabe se eram do Estado, dos municípios ou de terceiros'', surpreendeu-se Mewes.
A Secretaria de Estado da Educação também está preocupada com o destino dos equipamentos enviados às usinas. A maioria dos projetos incluía a remessa de computadores de última geração, utilizados para realização de conferências à distância. De acordo com o secretário, a ONG Usina comprava os equipamentos e enviava sem notificar o governo. ''Não temos controle sobre o patrimônio que devia ser do Estado. Talvez já tenha até prefeituras se apossando dos equipamentos'', afirmou.
Segundo Mewes, a decisão de afastar a ONG do gerenciamento das usinas foi do governador Roberto Requião (PMDB). ''Se não houvessem tantas coisas estranhas nos contratos do governo anterior, até poderíamos conceber a possibilidade de permitir que as ONGs continuassem tocando projetos como a Usina do Conhecimento e o Parque da Ciência (leia texto nesta página). Mas é melhor parar e analisar direito a situação para evitar problemas com as leis de Licitações e de Responsabilidade Fiscal'', ponderou.

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