Curitiba - A reunião semanal do secretariado, que ocorria todas as terças-feiras, religiosamente, desde o início do governo Roberto Requião (PMDB) em 2003, foi suspensa ontem após a abertura dos trabalhos. A decisão foi uma resposta do governador ao que ele chamou de censura prévia. A Rádio e Televisão Paraná Educativa (RTVE) foi obrigada ontem a veicular de 15 em 15 minutos uma carta da Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe), na qual há duras críticas ao governador e explica os motivos pelos quais o desembargador Edgard Lippmann Júnior, do Tribunal Regional Federal (TRF) de Porto Alegre, decidiu limitar a participação de Requião na emissora - proibindo ataques a adversários políticos, ao Ministério Público (MP) e à imprensa.
Requião afirmou que suspendeu não apenas a reunião semanal, a Escola de Governo, mas também toda a programação da RTVE. Durante todo o dia de ontem, a TV exibiu a sua logomarca explicando que estava fora do ar. De 15 em 15 minutos, a RTVE transmitia o pronunciamento dos juízes, o do próprio governador e da Associação Brasileira de Imprensa (ABI).
Questionado pela FOLHA se ele havia decidido se calar, Requião reagiu. ''O silêncio, às vezes, grita mais alto. Ninguém me calou. Tirei a emissora do ar. Da Patagônia ao Canadá, todos saberão que estão tentando censurar o governador do Paraná. Ou se tem uma regressão na democracia brasileira ou se censura tudo definitivamente.''
Ao suspender a escolinha, Requião convocou os prefeitos para uma reunião no gabinete do Palácio das Araucárias, com a presença dos jornalistas. ''Não sou eu quem vai censurar a mídia'', disse. Com poucos sorrisos e sem brincadeiras, Requião se dirigiu ao gabinete onde assinou convênios com 12 prefeituras num valor de R$ 6,6 milhões. Também foram assinados convênios para liberação de verbas do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) no valor de R$ 70 milhões para Colombo, Pinhais e Campo Magro - Região Metropolitana de Curitiba.
Derrota
Ontem, Requião sofreu nova derrota no TRF. O juiz federal Loraci Flores de Lima negou liminarmente o mandado de segurança protocolado pela Procuradoria-Geral do Estado (PGE) questionando a veiculação da nota da Ajufe. A PGE alegava, entre outras coisas, ''prejuízos irreparáveis à programação da emissora''.
A PGE tentava reverter uma decisão do desembargador Lippmann Júnior, sobre a veiculação da nota da Ajufe a cada 15 minutos. Em seu despacho, Flores de Lima escreve que a decisão anterior está ''muito bem fundamentada e longe de configurar ato arbitrário que pudesse ser atacado na via do mandado de segurança''.
Picadeiro
O deputado estadual Valdir Rossoni (PSDB), líder da oposição na Assembléia Legislativa, afirmou que Requião ''deu novas demonstrações de desequilíbrio''. ''É a prova cabal que o circo semanal encenado no Museu Oscar Niemeyer não é uma reunião de trabalho, mas apenas um picadeiro para que Requião exercite seu egocentrismo, dê vazão a descarada autopromoção e agrida adversários reais ou imaginários'', atacou. ''Como estava impedido por ordem judicial de se auto-elogiar e agredir, ele resolveu simplesmente tirar o programa do ar comprovando, na prática, o desvio absoluto de função da TV Educativa.'' (Colaborou Catarina Scortecci/Equipe da Folha)

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