Requião só se candidata com estrutura
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quinta-feira, 08 de abril de 1999
Leandro Donatti 
O senador Roberto Requião condicionou ontem à sua candidatura à Prefeitura de Curitiba, no ano 2000, ao empenho e à organização dos militantes do PMDB. Escaldado com a derrota nas urnas, na última eleição, o senador lançou um desafio interno aos peemedebistas. Se não houver uma estruturação completa e o fim dos focos de traição interna, o senador não está disposto a se submeter a um sacrifício.
Por enquanto, sou um senador da República que está trabalhando como um louco, avisa Requião. O senador é visto como o único nome de peso para enfrentar o PFL do governador Jaime Lerner na briga pelo comando político da capital, o principal colégio eleitoral do Estado. É corrente ainda no PMDB a tese de que para chegar-se ao governo do Estado novamente, o partido precisa vencer em Curitiba.
Requião vai mais longe e diz que não basta eleger o prefeito de Curitiba, mas também os prefeitos de cidades estratégicas, sob o ponto de vista eleitoral, como Londrina, Cascavel, Ponta Grossa, Guarapuava e Maringá. Como presidente do partido, acho que temos de lançar candidaturas no maior número de cidades possível. Para podermos atuar com tranquilidade num processo eleitoral futuro que englobe o Estado, considerou.
Os candidatos que lançarmos não podem, em hipótese alguma, vir a trair o PMDB, declarou ele por telefone à Folha. O senador Requião fez menção a um caso específico, envolvendo o prefeito de Dois Vizinhos (46 km ao norte de Francisco Beltrão), Jaime Guso, que é do PMDB.
Eu o apoiei e na eleição passada não fui correspondido. Combati o dono de bordel, para apoiar a prostituta, disse, referindo-se a Guso e ao hoje deputado estadual, Luiz Fernandes da Silva (PSDB), o Litro, empresário do ramo de motéis no Sudoeste. Na campanha eleitoral passada, Guso emprestou apoio declarado à releeição de governador, assim como outros prefeitos do PMDB. A Folha ligou para a Prefeitura de Dois Vizinhos, mas não conseguiu contato.
A executiva do partido pressiona o senador e tenta dar uma resposta ao seu desafio. O PMDB avança no processo de depuração interna, mexendo nos comandos dos diretórios municipais tidos como infiéis e incentiva novas filiações, num processo de engorda da sigla.
Na terça-feira, um grupo de pré-candidatos a vereador reuniu-se em Curitiba para discutir a sucessão de Cassio Taniguchi (PFL). Requião ausentou-se da conversa. Estava em Brasília. Destoando do discurso condicionante do senador, para o grupo, a participação de Requião no processo eleitoral do ano que vem é um fato consumado.


