Requião sela a 'paz' com os prefeitos
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terça-feira, 18 de janeiro de 2005
Maigue Gueths<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Na reunião da Operação Mãos Limpas, promovida toda segunda-feira pelo Governo do Estado para discutir problemas de segurança pública, ontem, o governador Roberto Requião (PMDB) e o prefeito de Curitiba, Beto Richa (PSDB), mostraram que estão dispostos a deixar de lado as divergências políticas para colocar em prática promessas de campanha, como a integração das polícias e guardas municipais.
Desde a posse, ontem foi a primeira vez que Requião se reuniu com os prefeitos da Região Metropolitana de Curitiba (RMC). No encontro, ''integração'' foi a palavra chave. Os prefeitos foram unânimes em concordar com a necessidade de que, para reduzir a criminalidade, governo e municípios devem integrar as ações que visam reduzir a criminalidade.
A intenção, segundo o governador, é integrar as polícias militar e civil com as guardas municipais. Por enquanto, Curitiba é o único município da região que possui uma Guarda Municipal, mas o governo pretende incentivar os demais municípios para que implantem guardas próprias, com apoio da Polícia Militar, que faria o treinamento do pessoal.
O governo também apresentou dados relacionando o crime com a venda de bebida alcóolica, principalmente na periferia, e propôs que os municípios adotem legislação que iniba a abertura de bares e restaurantes à noite. Requião admitiu dificuldades para implantar o fechamento dos bares, principalmente em grandes municípios. O prefeito de Curitiba, no entanto, disse que pretende analisar a melhor a medida e suas questões legais para encaminhar um projeto à Câmara dos Vereadores.
Pelo menos quatro municípios da Grande Curitiba já têm leis nesse sentido: Colombo, Quatro Barras, Fazenda Rio Grande e Campina Grande do Sul. Como exemplo de bom resultado, o governo citou Fazenda Rio Grande, que em 2001 era um dos municípios mais violentos da região metropolitana e no ano passado registrou apenas três homicídios.
Entre os 12 prefeitos presentes, a prefeita de Campina Grande do Sul, Nelise Cristiane Dalprá (PSDB) e o prefeito de Itaperuçu, José de Castro França (PPS) reclamaram da falta de policiais em suas cidades. Segundo Nelise, com 45 mil habitantes, o município tinha apenas dois PMs. Para minimizar a situação, ela contratou nove policiais militares da reserva, que estão atuando na área rural. Ela busca, agora, fechar um convênio de modo a legalizar o uso dos PMs da reserva e implantar a guarda municipal.
Itaperuçu, por sua vez, só conta com um sargento da PM. Casos que exigem a presença de policiais civis são encaminhados à Regional de Rio Branco do Sul. Diante das reclamações, o governador determinou que a Secretaria de Segurança Pública visite os municípios para buscar solução para a segurança em cada um.
Requião anunciou, ainda, a criação de um grupo especial dentro da polícia, cujo objetivo será aprofundar a investigação dos crimes. ''Esse grupo vai seguir as investigações para que elas cheguem não só na prisão dos autores, mas também dos responsáveis pela distribuição das drogas, dos envolvidos nas disputas dos territórios, de quem cobra a falta de prestação de contas das drogas distribuídas'', explicou. A princípio o grupo atuará em Curitiba e região, mas o objetivo é estender a ação para outras cidades.
Satisfeito com a reunião, o governador propôs aos prefeitos que as reuniões sobre segurança aconteçam conm frequência. Ficou acertado que o encontro ocorrerá sempre na primeira segunda-feira de cada mês. Na ocasião, os prefeitos trarão seus problemas e cobrarão soluções da Secretaria de Segurança e Polícia Civil.


