Curitiba O governador Roberto Requião (PMDB) reuniu, no final da tarde de ontem, todo seu secretariado para discutir a terceirizações de serviços no Estado em diversas áreas, feitas pelo governo Jaime Lerner (PFL). O encontro, a portas fechadas no Palácio Iguaçu, foi a primeira grande reunião de Requião com mais de 30 integrantes do primeiro escalão, incluindo secretários, assessores e diretores. Até o fechamento desta edição, o encontro não havia terminado.
Requião convocou a reunião depois que fez uma visita surpresa no Hospital Militar, na capital. Desde a campanha eleitoral Requião questiona a necessidade de algumas terceirizações na administração do Paraná. Mas a visita ao hospital foi a gota d'água. Ele ficou irritado com o que viu, relatam seus assessores.
Dos 71 funcionários terceirizados para atender o Hospital Militar, Requião encontrou apenas 15 em seus postos. À noite, ele voltou lá e encontrou apenas dois trabalhando. O governador decidiu tomar medidas urgentes para melhorar o atendimento e evitar um possível colapso nos serviços prestados pelo poder público. Na avaliação do governador, o Hospital Militar foi ''esvaziado'' para beneficiar o Serviço de Atendimento à Saúde do Servidor (SAS) sistema criado no governo Lerner que é terceirizado.
Segundo Requião, muitos serviços que deveriam ser prestados pelo Estado foram terceirizados, e alguns contratos conteriam valores irreais. De acordo com a secretária de Estado do Planejamento, Eleonora Fruet, todas as terceirizações serão cuidadosamente analisadas e filtradas.
O governador afirmou que não é contra terceirizações, desde que sejam estabelecidos preços com base no mercado. ''Da forma como foram feitos os contratos na gestão anterior, a terceirização foi utilizada para gerar margens espetaculares de lucros para setores do governo.''
De acordo com sua assessoria, Requião salientou que não acredita que Lerner tenha sido o beneficiário de acordos considerados fraudulentos. ''O que aconteceu é que o Lerner foi omisso. Ele simplesmente não governou o Paraná e deixou de tomar conhecimento do que se passava ao seu redor'', declarou Requião, através de sua assessoria. Lerner não foi encontrado ontem pela Folha.
No Hospital Militar, a Folha foi informada que os responsáveis pelos funcionários terceirizados do hospital só estariam disponíveis para falar hoje.

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