O senador Roberto Requião (PMDB) disse ontem que se sentiu ‘‘honrado’’ com as declarações do presidente nacional do PT, José Dirceu - que o colocou como única ‘ponte’ de possível acerto do partido com o PMDB -, mas que as conversas ‘‘não devem ser personalizadas’’. ‘‘Temos de formar uma frente única contra o neoliberalismo do presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), e acho que o PT também pode conversar com os outros pré-candidatos do PMDB (senador José Sarney e o ex-presidente Itamar Franco). Eles têm uma identidade com o nacionalismo. Isso é irrepreensível’’, avalia.
Requião aproveitou a marcha dos sem-terra que ‘desaguou’ ontem em Curitiba para manter contato com a cúpula do PT. Almoçou com José Dirceu, o senador Eduardo Suplicy e demais integrantes da direção estadual. ‘‘A minha postura é a mesma de sempre. Antes de acertarmos qualquer coisa com o PT, lutarei para que o PMDB lance candidato próprio em 98, pois 85% das bases do partido querem isso’’, aposta. O senador confirmou que vai participar do roteiro de visitas aos estados, junto com Sarney e Itamar, que está sendo fechado pelo presidente nacional, deputado Paes de Andrade.
José Dirceu reforçou a intenção do PT em manter um diálogo permanente com o PMDB e sua eventual dissidência, caso naufrague a proposta de lançamento de candidatura própria e a maioria do partido venha a avalizar a reeleição de Fernando Henrique. ‘‘Se o Requião vencer a convenção do PMDB e for o candidato a presidente, terá o mesmo tratamento que dispensaremos com o Lula (Luiz Inácio Lula da Silva). Vamos ter de conversar e poderá haver uma aproximação’’, cogita.

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