Curitiba - A possibilidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, receber o apoio do governador licenciado Roberto Requião (PMDB), que também tenta se reeleger no Paraná, está cada vez mais distante. O presidente do PMDB no Paraná, deputado estadual Dobrandino da Silva, admitiu ontem que o ''processo de coligação com o PSDB já foi iniciado'' no primeiro turno, o que facilitaria a ligação agora entre Requião e o presidenciável tucano, Geraldo Alckmin. Dobrandino se refere à parcela dos tucanos que apóia Requião e que até tentou se unir oficialmente ao PMDB em julho. A tentativa foi frustrada, porém, pela outra ala dos tucanos, que está com o senador Osmar Dias (PDT), adversário do Requião no segundo turno.
Requião não declarou apoio a Alckmin, que disputa o segundo turno com Lula. Mas Dobrandino garante que Requião ''não deverá ficar neutro'' e que inclusive decidirá sobre o assunto nos próximos dias. Nas eleições anteriores, em 2002, Requião foi de Lula, e até hoje conta com o apoio de uma ala do PT no Estado. ''Mas, se Requião optar pelo Lula, ele perde o Beto Richa (prefeito de Curitiba)'', admitiu Dobrandino. Richa, que é o coordenador da campanha eleitoral do Alckmin no Paraná, permaneceu em cima do muro no primeiro turno. A tendência é que Richa vá mesmo com o PDT. A opção do prefeito deverá ser declarada hoje.
O presidente do PT no Paraná, deputado estadual André Vargas, eleito para a Câmara dos Deputados, afirmou ontem, porém, que se Requião não declarar apoio a Lula, o peemedebista também não contará com a ajuda dos petistas. ''Até o momento, nós só temos uma campanha para tocar, a do Lula'', disse Vargas. Dobrandino disse acreditar que, independente da posição do partido de Lula, os votos do senador Flávio Arns, candidato a governador pelo PT no primeiro turno, deverão ir ''automaticamente para Requião''.
Para o deputado estadual Natálio Stica (PT), o apoio de Requião é importante para Lula e ''vice-versa''. ''Vou estar na campanha do Requião, independente da posição do meu partido. Acredito que 70% do PT no Estado já está com Requião'', admitiu. Stica também disse que os votos do Flávio Arns ''devem pesar na balança''. Flávio Arns, que acusa a cúpula do partido de não ter colaborado com a sua campanha eleitoral, já adiantou que ficará neutro no segundo turno. Nas urnas, apesar de ter ficado distante do segundo lugar, Flávio Arns surpreendeu ao conseguir ultrapassar Rubens Bueno (PPS), sempre apontado pelas pesquisas para ocupar a terceira posição.

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