Requião se afasta do PMDB de Curitiba
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segunda-feira, 20 de outubro de 1997
Leandro Donatti Curitiba 
Arquivo FolhaContra-ataqueRequião: senador acusa membros do partido de molecagens e trêfegas brincadeirasO senador Roberto Requião anunciou ontem, através de uma nota oficial, que vai se afastar do PMDB de Curitiba. Não posso liderar um partido que é dado a esse tipo de incongruência. Acredito que a resistência desses líderes (leia-se deputado estadual Luiz Claudio Romanelli, presidente municipal Pedro Longo e o ex-prefeito Maurício Fruet) e a continuidade dessa prática me afasta do partido na capital, afirmou. A decisão do senador não representa a sua desfiliação. Ele continua no PMDB.
As declarações de Requião foram feitas um dia depois da sua derrota, no último domingo, durante a convenção municipal em Curitiba. Nem ele, nem o irmão, o deputado federal Maurício Requião, conseguiram se eleger delegados do partido à convenção de novembro. Apesar da maioria das zonais do PMDB manifestar apoio à candidatura do senador ao governo em 98, o comando do partido continua nas mãos do grupo político de Pedro Longo.
Requião - que se diz aborrecido e desencantado - acusa Longo, Romanelli e Maurício Fruet de darem respaldo a molecagens e trêfegas brincadeiras. Ele se refere ao lançamento da candidatura do deputado federal Max Rosenmann, hoje no PSDB, à prefeitura de Curitiba nas eleições de 96. O desempenho do PMDB foi desastroso. O partido ficou com 1,6% das intenções de voto.
O senador usou de ironia ao afirmar que o atual grupo que detém o PMDB em Curitiba já tem um esboço da chapa 98. Pedro Longo (presidente do diretório regional), Romanelli (secretário geral), e o presidente estadual em exercício Milton Buabssi (Senado). O partido tentará uma aliança com o PSDB tendo Maurício Fruet como candidato a vice; ou ainda comporá com o PDT, tendo Fruet na cabeça de chapa e Nelton Friedrich como vice, mantidos os demais cargos, sugere a nota.
Requião aproveitou para manifestar o seu descontentamento com o partido, que não apoiou as críticas feitas pelo senador contra o governo Jaime Lerner (PFL) e o Banestado durante o programa eleitoral do PMDB que foi ao ar há cerca de 15 dias. Deixado na mão e com o apoio de apenas dois dos oito deputados peemedebistas, Requião foi alvo de um voto de repúdio articulado pela base governista na Assembléia Legislativa.
Luiz Claudio Romanelli garantiu ontem que continua cabo eleitoral de Requião e que a disputa pelo comando em Curitiba foi localizada. A derrota foi do Maurício Requião que, junto com a família toda, tentou nos intimidar, tirando o nosso espaço, assinala. Para Romanelli, o bate-chapa que garantiu 20 dos 33 delegados para o seu grupo foi a fórmula encontrada para evitar que a família (que vota em peso na 177ª zona eleitoral) tome conta do PMDB na capital.
O presidente da Fundação Pedroso Horta, ex-prefeito Maurício Fruet, reagiu às declarações de Requião e disse que foi acusado gratuitamente. Eu trabalhei pelo consenso entre as chapas e, na época das eleições de 96, ninguém melhor que o senador sabe que eu apoiei a candidatura de Elias Abrahão (morto num acidente de carro no mesmo ano) e não a de Rosenmann, lembra. Fruet diz que as observações da nota, que sinalizam a sua aproximação com PDT e PSDB, são imaginação fantasiosa do senador.


