Requião responsabiliza 4 governadores
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sexta-feira, 11 de julho de 1997
Leandro Donatti Curitiba 
O relator da CPI dos Títulos Públicos, senador Roberto Requião, confirmou ontem em Curitiba a inclusão dos governadores de Santa Catarina, Paulo Afonso Vieira; de São Paulo, Mário Covas; de Pernambuco, Miguel Arraes; e de Alagoas, Divaldo Suruagy, como responsáveis no esquema dos precatórios. Requião antecipou o relatório final que deve ser lido na próxima quarta-feira no Congresso, em Brasília.
O senador sugere ainda ao Ministério Público Federal a punição dos ex-prefeitos de Osasco Celso Giglio, de São Paulo Paulo Maluf, de Campinas Edivaldo Orsi e de Guarulhos Vicentino Papoto. O atual prefeito de São Paulo, ex-secretário de Finanças Celso Pitta, e o ex-secretário Roberto Sanchez também foram citados no relatório, de 280 páginas, fora seus anexos.
Tanto os governadores como os ex-prefeitos tiveram responsabilidade pelos prejuízos do escândalo, disse Requião, que cita a fraude documental, sonegação, falsidade ideológica e evasão de divisas como alguns exemplos de crimes cometidos. Uns com maior intensidade e outros como menos. O governador de Santa Catarina falsificou documentos e ajudou no desvio do dinheiro, ao contrário de outros, avalia o senador.
Requião diz que jamais terminaria o seu parecer se as investigações continuassem. É incrível, mas a cada enxadada que dávamos, apareciam 500 mil minhocas, comparou. O relator disse ainda que o Ministério Público Federal tem provas cabais de todo o esquema e dos envolvidos diretos com os beneficiários.
Os resultados das investigações feitas por Requião e pelo senador Vilson Kleinubing (PFL-SC) no Paraná também fazem parte do relatório final. Integram um anexo em separado. Ontem, na casa de Requião, a CPI ouviu os últimos depoimentos. Até o fechamento da edição, os senadores ainda não haviam revelado o nome dos mentores da lavagem feita na agência do Banco do Brasil no Alto da Rua XV pelo grupo Transoceânica Passagens e Turismo e Transcorp Distribuidora de Títulos Imobiliários nem eventuais conexões com administradores públicos do Paraná e de Santa Catarina.
Uma funcionária do BB confirmou dois saques (um de R$ 280 mil e o outro de R$ 702 mil) feitos no dia 25 de outubro do ano passado pelo proprietário da Transoceânica, Ernesto de Veer, e pelo ex-gerente do BB e hoje sócio do grupo, Nilson dos Santos. Os dois levaram os cerca de R$ 1 milhão para Santa Catarina por um avião, fretado pela Jet Sul Taxi Aéreo. Requião diz que a operação de entrega do dinheiro (não se sabe ainda para quem) durou menos de 15 minutos.Temos provas da Infraero que de Veer voltou bêbado, festejando a negociação, acusou.
O depoimento do funcionário da Transoceânica, Altair Bora, foi surpreendente. O funcionário, que funcionou como o movimentador das contas, assumiu a maioria das denúncias feitas por Requião e Kleinubing, orientado pelo advogado, que é o mesmo do grupo Transoceânica. Para os jornalistas, Bora mudou a versão. Disse não entender o porquê do envolvimento e que não passava de um office-boy da empresa.


