Requião rejeita proposta de trégua
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quinta-feira, 18 de setembro de 1997
Leandro Donatti Curitiba 
Arquivo FolhaCalo apertadoRequião: tentativas de Osmar e Álvaro de fazê-lo reduzir investidas contra FHC foram infrutíferasO senador Roberto Requião (PMDB) disse ontem que não vai abrir mão das críticas que vem fazendo contra o presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), em troca de uma aliança do PMDB com o PSDB no Paraná. Acho viável a idéia da união, mas não vou me violentar dessa maneira. Não estou disposto a vender o Brasil por causa de uma aliança como essa, reforçou o senador.
Requião disse que, ao invés das lideranças tucanas (leia-se Álvaro e Osmar Dias) tentarem dobrá-lo, o PSDB do Paraná deveria assumir uma atitude coerente frente ao governo FHC, como a adotada pelo governador de São Paulo, Mário Covas. Covas se distanciou do presidente ao anunciar que não está mais disposto a concorrer à reeleição em 98.
O senador afirma que não pode fechar os olhos diante da política desnacionalizante do governo federal. Passarinho na muda não cria. Quero com o PSDB do Paraná afastar a quadrilha que tomou conta do Palácio Iguaçu, mas tenho de manter um mínimo de princípios. Eu não amenizarei os meus pontos de vista por conta disso, avisou Requião, que passou os últimos dias descansando no Hotel Mabu, em Foz do Iguaçu.
Na verdade, os planos políticos de Roberto Requião, para o futuro, podem inviabilizar ainda mais a difícil aproximação PMDB-PSDB no Paraná. Apesar de se dizer candidato ao governo do Paraná, o senador estaria de olho na disputa presidencial. Eu tenho mais de um ano pela frente. É muito cedo para se acertar coligações. Pelo que percebo, o presidente Fernando Henrique não conseguirá se reeleger, aposta.
O senador não acredita ainda que a ação política comandada pelo governador Jaime Lerner (PFL), na tentativa de arranhar a bancada do PMDB na Assembléia Legislativa, vá surtir efeito. Estamos engordando e fortalecendo a sigla. Ele (Lerner) está se dedicando ao mais novo escândalo de sua gestão: os Jogos Mundiais da Natureza, afirmou Requião, acusando o Palácio Iguaçu de gastar R$ 35 milhões em mídia para o evento, o equivalente, segundo ele, ao término das construções das pontes de Guaíra, Foz do Iguaçu e Porto Camargo.
Requião visitará amanhã o PMDB de Cascavel. E informa que na próxima segunda-feira estará em Maringá para a filiação do ex-prefeito Said Ferreira. Afastado desde as eleições de 94, Ferreira retorna ao PMDB. O compromisso em Cascavel impedirá o senador de comparecer no encontro em Londrina, organizado pela direção estadual do PMDB.


