Requião recusa PSDB e PFL em 2000
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sexta-feira, 02 de abril de 1999
Leandro Donatti 
Presidente estadual do PMDB, o senador Roberto Requião quer a exclusão do PSDB de Álvaro Dias e do PFL do governador Jaime Lerner do leque de alianças que já está sendo costurado pelo partido para as eleições municipais do ano 2000. Para o PMDB as coisas são cristalinas. PFL e PSDB apóiam o governo do Estado e o governo federal e isso para nós é razão suficiente para deixar esses partidos de fora, assinalou.
Requião não poupa suas críticas ao grupo que hoje integra o PSDB, o mesmo grupo político com quem coligou nas eleições de 94 e que em 96 e 98 teve uma relação de amistosidade. Não tenho dúvidas que o PSDB hoje é governo. Tem secretário de Estado nomeado pelo governador, disse, numa referência ao deputado estadual licenciado, Sérgio Spada, que hoje responde pela Secretaria Especial de Defesa do Consumidor.
O senador reclamou da fórmula de Brasília para evitar o confronto eleitoral entre Lerner e Álvaro nas urnas no ano passado. No Paraná, ficou conhecida como acordo branco por ter resultado a desistência tucana de concorrer ao governo e a pefelista de lançar candidato ao Senado. Depois de manter posição de dubiedade por causa desse acordo, passada a eleição, o PSDB assumiu seu apoio ao governo Lerner, acusou.
O presidente do PMDB promete rigor na avaliação do leque de alianças. Se houver exceções, as decisões municipais serão submetidas ao crivo do diretório estadual, observou Requião, frisando que hoje existe uma diretriz partidária disposta a vetar esse tipo de união. Os diretórios municipais e o estadual estão avisados. O PMDB não coliga com partidos que dão sustentação aos governos estadual e federal, reforçou ele.
Derrotado nas urnas - sua campanha ao governo em 98 não decolou por conta do PSDB - Requião diz ter se arrependido de alguns apoios dados em 96. Fui contra o dono do bordel e acabei apoiando um dos frequentadores dos motéis da política, declarou. Ele referiu-se ao deputado Luiz Fernando da Silva, o Litro - que tem uma rede de motéis no Sudoeste - e ao prefeito de Dois Vizinhos, eleito em 96, Jaime Guso (PMDB), que em outubro passado escancarou apoio à campanha de Lerner.
Para o senador, nacionalmente o leque de alianças esboçado pelo PMDB para esse novo processo pré-eleitoral deve ser mais rigoroso. Na avaliação de Requião, uma união com o PSDB ou com o PFL fulmina qualquer possibilidade do PMDB chegar ao poder. O senador está com o discurso pronto em defesa do lançamento de candidaturas próprias, seja para as disputas municipais que se avizinham ou para os embates futuros.


