Requião recua e desiste de reajustar impostos
PUBLICAÇÃO
sábado, 01 de dezembro de 2007
Rodrigo Lopes<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O governador Roberto Requião (PMDB) determinou ontem a retirada de dois projetos que pretendiam aumentar as alíquotas do Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotivos (IPVA) e do imposto sobre heranças. Ambos tramitavam na Assembléia Legislativa e causaram grande pressão de deputados de oposição e até mesmo de integrantes da bancada governista. Apesar disso, Requião manteve a mensagem que pede reajustes de até 230% em cinco taxas cobradas pelo Departamento de Trânsito do Paraná (Detran-PR).
O governador atribuiu a retirada dos projetos justamente à pressão de partidos oposicionistas. ''Queríamos reduzir o imposto dos carros populares, zerar o das motocicletas de até 125 cilindradas e isentar o Imposto de Transmissão Causa Mortis e Doações (ITCMD) dos pobres, aumentando o imposto pago pelos mais ricos. Entretanto, os deputados do DEM e do PSDB partiram em defesa dos milionários e, por isso, estamos retirando os projetos'', afirmou Requião.
Pelos projetos, a alíquota geral do IPVA pasaria dos atuais 2,5% para 3% do valor venal do veículo, criando algumas isenções. Já o ITCMD também teria reajustes, criando uma faixa de isenção para heranças no valor de até R$ 50 mil. O líder do governo na Assembléia, Luís Cláudio Romanelli (PMDB), também criticou a postura da oposição. ''Estávamos fazendo a modernização desse imposto, que seria reduzido em dois terços e auxiliaria justamente as pessoas que mais necessitam. Mas a oposição comandada pelo PSDB quer manter o privilégio dos mais ricos'', disse.
O líder da oposição, Valdir Rossoni (PSDB), atribuiu o recuo do governo à pressão social contra as propostas. Disse ainda que o Executivo administra mal as finanças, tentando compensar com aumentos de impostos. ''O governo Requião administra mal, inchou a máquina, em quatro anos criou 688 cargos comissionados para empregar parentes e apaniguados, e agora, quando as finanças do Paraná não suportam essa gastança, quis empurarrar um tarifaço goela abaixo dos paranaenses'', afirmou. Rossoni fez ainda um alerta para novas tentativas de reajustes. ''Se a sociedade não ficar alerta eles logo vão tentar de novo'', declarou.
Já o deputado Reni Pereira (PSB), integrante do chamado bloco independente, considera que o governo retirou os projetos porque, caso fossem aprovados ainda este ano, entrariam em vigor apenas a partir de abril. Isso prejudicaria a arrecadação do IPVA, que começa em janeiro. ''Eles não iriam passar pelo ridículo de aprovar os reajustes e depois não poder aplicá-los'', disse. Para Pereira, a pressão feita pelos deputados contra o aumento deve servir como recado ao Executivo. ''O governo estava, de certa forma, nadando de braçada, até porque não havia questão polêmica tramitando na Assembléia. Mas fizemos pressão, como é o nosso papel, e questinamos as ações do governo tomadas na calada da noite'', justificou.


