Requião rebate Dallagnol e diz que 'trambique só parou no meu governo'
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quarta-feira, 30 de janeiro de 2019
Diego Prazeres <br> Editor de Política 
O ex-governador Roberto Requião (MDB) gravou um vídeo nas redes sociais para rebater a denúncia do Ministério Público Federal de que os esquemas de corrupção envolvendo as concessionárias de pedágio do Paraná e governos estaduais duram 20 anos, passando pelas gestões de Jaime Lerner (1995-2002), Requião (2003-2010) e Beto Richa (2010-2018). Segundo o MPF, os desvios chegam a R$ 8,4 bilhões, e são o foco das investigações da Operação Integração 2, uma das fases da Lava Jato.
Na segunda-feira (28), em entrevista coletiva comandada pelo coordenador da Lava Jato em Curitiba, procurador Deltan Dallagnol, o MPF denunciou o ex-governador Beto Richa (PSDB), o irmão dele, Pepe Richa, e mais 31 pessoas acusados de participação no esquema. Richa segue preso preventivamente desde a última sexta-feira, sob a acusação de tentar obstruir provas durante as investigações.
Sobre o suposto envolvimento dos ex-governadores Jaime Lerner (DEM) e Roberto Requião nos esquemas, os procuradores do MPF explicaram que não os incluíram na denúncia porque existe prescrição do ponto de vista criminal.
No vídeo, o atual senador emedebista, cujo mandato termina nesta quinta-feira (31), parabeniza o MPF pela denúncia contra Beto Richa e mais 32 pessoas, mas diz que a medida é tardia, ressaltando que vem denunciando "a ladroagem do pedágio" há mais de 20 anos, "com omissão absoluta dos Ministérios Públicos Estadual e Federal".
"Eu entrei com cerca de 50 ações na Justiça contra os aumentos de pedágio, jamais aceitei alguma modificação contratual no meu governo. E quando o Dallagnol se expressa na tal coletiva, ele diz que a patifaria pode ter começado em governos anteriores. Um dos governos anteriores foi o meu, Dallagnol, e você sabe, porque já houve um depoimento nesse sentido, que o trambique só parou no meu governo", diz Requião.
Na sequência, o ex-governador admite que algum funcionário de carreira pudesse estar "mancomunado" com empresas de pedágio, mas pede que o MPF investigue e denuncie. "Não sou ladrão, Dallagnol. Não seja moleque comigo (?) Comigo você não brinca. Se tem alguém envolvido, dá o nome, condena, e vai contar com o meu apoio e o meu aplauso, mas não brinque comigo, porque eu não sou brinquedo de vocês."
Procurado via assessoria de comunicação, o MPF não se manifestou.


