O senador Roberto Requião (PMDB), candidato à sucessão estadual em 2002, rechaçou ontem as declarações do secretário-chefe da Casa Civil, Alceni Guerra. Em entrevista à Folha publicada no último domingo, Guerra culpou o senador pelas crises que assombram o Palácio Iguaçu – que vão desde denúncias de escutas telefônicas ilegais até a situação financeira do Estado.
O chefe da Casa Civil disse que as denúncias de Requião, mesmo sem provas, geram um clima de tensão no Estado e desgastam a imagem do governador Jaime Lerner (PFL).
Requião disse que não é ele quem desencadeia crises. ‘‘O governador é a Joana D’ Arc self service. Ele mesmo ateia fogo no governo. O maior culpado é o próprio governador’’, disse. O Jaime Lerner não precisa de mim’’, emendou.
Guerra disse que Requião é o brasileiro com maior poder de verborragia no País. ‘‘É um paradoxo afirmar isso porque se fosse só verborragia não surtiria efeito’’, devolveu o senador. ‘‘Eu apenas transmito o sentimento da população’’, afirmou. O senador disse que seria fácil para o governo se livrar dele. ‘‘É só me mandar para fora do País que tudo se resolve’’, ironizou.
Alceni Guerra disse que o governador é um estadista que assumiu o ônus da impopularidade porque adotou um modelo de governo de transformação, mudando o perfil do Estado de agrário para industrial e privatizando estatais. Para Guerra, a população e a oposição só vão dar valor às mudanças depois que o governador deixar a chefia do Executivo. (M.D.)

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