Requião reage a críticas de Lerner
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 24 de dezembro de 1996
Sérgio Wesley Sucursal de Curitiba 
As críticas feitas pelo governador Jaime Lerner ao senador Roberto Requião (PMDB) e publicadas domingo pela Folha de Londrina provocaram reações do senador. O governador continua mentindo. O Senado Federal precisa de informações claras para autorizar o empréstimo do Paraná 12 Meses. E ele não vai conseguir fazer com o Senado o que fazia com a Câmara Municipal de Curitiba, afirmou Requião.
Lerner classificou Requião de invejoso, maniqueísta, medíocre e pouco inteligente. Requião devolveu chamando Lerner de Pinóquio. E eu tenho suspeitas bem embasadas de que o governo Jaime Lerner é uma gulosa quadrilha que está vendendo o nosso Estado, apelou.
O senador acusou o governo Lerner de ter transformado a Famepar na empresa Paranacidade para contratar sem concurso público almofadinhas e meninas bonitas amigas do rei, fugindo do redutor salarial. Requião disse que secretárias contratadas pela Paranacidade, com salários de R$ 4 mil mensais, estão assessorando engenheiros do quadro do Estado cujo salário é de R$ 800,00.
O senador disse ainda que o Paraná está comprometendo 97% de sua receita líquida disponível com a folha de pagamento. Além desse exemplo da Famepar, temos a criação de cargos no Ministério Público e a incorporação de vantagens aos salários do Poder Judiciário. Tudo feito com a complacência do governador, afirmou.
Requião disse que Lerner está vendendo as ações da Copel e superfaturando o preço da construção da usina de Salto Caxias para pagar os salários do funcionalismo. Requião também acusa o governo de doar a Ferroeste à iniciativa privada. O governo ganharia mais dinheiro se arrendasse a faixa de terras da Ferroeste para o plantio de soja. Isso é um absurdo, criticou.
Requião disse também que as concessões feitas pelo governo às montadoras Renault, Chrysler e Volkswagen precisam ser esclarecidas. Tem empreiteira paranaense quebrando porque o governo não paga, o fisco arrocha as empresas do Estado e o Lerner presenteia as multinacionais com o dinheiro público, acusou.
O senador disse que vai continuar fiscalizando o governo do Estado e só vai permitir que o Senado autorize o empréstimo para o programa Paraná 12 Meses quando o governador Jaime Lerner abrir a caixa preta da sua administração.


