Patrícia Zanin
De Londrina
O presidente estadual do PMDB, senador Roberto Requião, questionou ontem, em Londrina, a criação da Divisão de Narcóticos, anunciada anteontem pelo governo do Estado. ‘‘Precisa saber se a divisão é a favor ou contra’’, provocou o senador, que esteve em Londrina de manhã para um encontro com lideranças do PMDB e, à tarde seguiria para Cascavel com o mesmo objetivo. Apesar da crítica, ele poupou o possível responsável pela divisão, o delegado Adauto Abreu de Oliveira. ‘‘Ele é sério’’, afirmou. Oliveira e sua mulher, Leila Bertolini, também delegada serão os primeiros paranaenses a depor na CPI do Narcotráfico.
Para Requião, a Polícia Civil do Paraná é ‘‘boa’’ e a Polícia Militar ‘‘excepcional’’. ‘‘Mas o comando da secretaria da Segurança Pública é frouxo, corrompido’’, acusou. Ele cobrou punição para o caso da compra das jaquetas sem licitação feita pela Polícia Militar. Na semana passada, a sindicância interna da secretaria de Segurança Pública inocentou o ex-comandante da PM do Paraná, coronel Luiz Fernando de Lara do escândalo.
O senador cobrou ainda uma posição do caso do novo comando da Polícia Militar. ‘‘Que eu saiba, o comandante ainda não se pronunciou sobre o caso. Ainda não disse a que veio’’, afirmou.
Requião criticou ainda a manobra do governo do Estado para minar a criação de uma CPI na Assembléia Legislativa. A CPI, proposta pelo deputado Ricardo Chab (PTB), apuraria, além do caso das jaquetas, outras denúncias de irregularidades no setor de segurança. Entre elas o aluguel da frota feita pela Secretaria de Segurança Pública, a doação, pela Renault, de R$ 180 mil à PM e um suposto superfaturamento na reforma de um gabinete militar, que teria custado R$ 800 mil. ‘‘Podemos concluir que a ramificação é maior do que se imagina’’, acusou.
Questionado sobre suas ações, quando ex-governador, para combater o tráfico e melhorar a segurança, ele reconheceu que o problema sempre houve. ‘‘Mas a diferença é que agora o tráfico corre solto. Há complacência e uma absoluta ausência de comando. Na minha época’’, relacionou. O presidente estadual do PMDB criticou ainda a falta de cumprimento dos mandados de reintegração de posse de áreas invadidas, alvo de uma campanha da Sociedade Rural do Paraná. ‘‘A gente reprimia’’, afirmou.
Requião, porém, não citou que seu governo, de 1990 a 93, também deixou de cumprir inúmeras reintegrações determinadas pela Justiça e que, quando cumpriu, acabou resultando na morte do líder sem-terra Teixeirinha, no Oeste do Paraná. Em relação ao combate ao jogo, por exemplo, o governo do PMDB anunciou, na época, uma mega-operação, batizada de ‘‘Grande Festa’’, que por pouco tempo fez uma caça aos bicheiros, que depois, continuaram a trabalhar normalmente.
Outro escândalo da época foi a denúncia de compra superfaturada de dois helicópteros canadenses para atender o governo, que acabou derrubando o então secretário de Segurança Pública, Moacir Favetti, o chefe da Casa Militar da época, coronel Wantuil Borges e o comandante geral da PM, coronel Miguel Capriotti.

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