Curitiba - O governador Roberto Requião (PMDB), anunciou ontem que irá tentar reverter o pedagiamento na BR-376, que liga Curitiba aos municípios de Santa Catarina. A rodovia teria sido duplicada com recursos do governo do Paraná. No entanto, o estado teria sido atropelado na decisão do Ministério dos Transportes, feita de forma unilateral, de pedagiamento da rodovia. O anúnciou foi feito durante reunião do Conselho de Desenvolvimento e Integração Sul (Codesul), que congrega os líderes dos Executivos estaduais do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul.
''Vou conversar com o ministro dos Transportes, com os técnicos da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Quero os recursos da estrada de volta. Eu não paguei a duplicação para ter uma rodovia pedagiada, mesmo que por valores baixos. Se não houver diálogo, vou pleitear na Justiça a devolução destes recursos. Primeiro, o caminho é o diálogo. Só vou para a Justiça se este caminho não for produtivo'', ponderou Requião, numa entrevista exclusiva à FOLHA.
Requião pretende acionar a Procuradoria Geral do Estado (PGE) se não houver negociação. O governador fez duras críticas ao edital de licitação do governo federal para concessão de sete novos trechos - no início do mês - que, segundo ele, teria sido superfaturado pelos técnicos que elaboraram os valores da tarifa. ''Quando se tem um deságio de 65% não existe o que comemorar. A empresa espanhola (OHL - vencedora dos três lotes que cortam o Paraná) está tendo lucro mesmo com o deságio. Tem que demitir todos que participaram desse edital de licitação'', afirmou Requião, dizendo que a Companhia Paranaense de Energia (Copel), que participou da licitação, previa deságio com lucro de 60%.
Requião ainda iniciou uma campanha para que os valores do pedágio no Paraná sejam reduzidos. Segundo ele, se uma companhia espanhola tem lucro com o pedágio a pouco mais de um real, não é possível que as concessionárias paranaenses cobrem dez vezes mais e não sejam penalizadas. ''Eu tento na Justiça o reequilíbrio contratual e não ganho. Isso é um absurdo. Agora fica mais do que provado que os valores praticados no Paraná são absurdos e injustos. Algo precisa ser feito urgente para evitar a roubalheira que se instalou no Paraná'', disse.
Os governadores do Codesul definiram ontem que os pleitos dos quatro estados serão encaminhados para o governo federal com o intuito de pedir a inclusão de projetos importantes para o setor dos transportes no Plano Nacional de Logística de Transportes. Um dos pedidos feitos foi pelo governador de Santa Catarina, Luiz Henrique da Silveira (PMDB), que quer que o governo federal conceda para o estado as rodovias federais que estão em estado precário, fonecendo também os recursos da Contribuição dos Combustíveis (Cide), criada para recuperação de rodovias.

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