Requião quer rever contratos da Copel
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terça-feira, 27 de agosto de 2002
Leandro Donatti<BR>Equipe da Folha 
Curitiba O candidato do PMDB ao governo do Estado, senador Roberto Requião (PMDB), prometeu ontem através de nota oficial que, se eleito no dia 6 de outubro, vai anular a parceria da Companhia Paranaense de Energia (Copel) e a Tradener, empresa especializada na comercialização de energia. Requião classificou a parceria de ''prejudicial ao interesse público''.
O gancho para o discurso do candidato do PMDB foi a intermediação da Tradener na venda de ''energia velha'' da Copel, processo imposto pelo governo federal e anunciado há dias. A Tradener, que tem contratualmente direito a comissão de 2% sobre o valor da transação, publicou o primeiro anúncio nos jornais no último dia 21, como forma de cumprir determinação da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), para dar ampla publicidade à comercialização.
Requião disse que a Copel está se antecipando ao vender a ''preço vil'' 25% de toda a energia gerada pelas usinas paranaenses para outros estados e grandes consumidores em seis meses. De acordo com a nota do senador, o preço básico é de R$ 75,36 por MW/h, ''menos da metade do que pagam, em média, as indústrias paranaenses, menos de um terço do que pagam os consumidores residenciais de nosso Estado e abaixo do que a própria Copel paga na compra de energia''.
O candidato do PMDB acusou a Tradener de causar prejuízo aos cofres públicos. Conforme a nota oficial, o balanço de 2001 revela um rombo de R$ 340 milhões, por conta de uma intermediação de venda com preço baixo para grandes consumidores como São Paulo de energia que a Copel foi obrigada, segundo análise do PMDB, a comprar no mercado atacadista a preços mais altos durante o racionamento de energia que vigorou em todo o País.
Das parcerias firmadas pela Copel, desde 1998, a que mais rendeu polêmica foi com a Tradener. A primeira comercializadora formada no País foi montada inicialmente pela Copel e pela empresa paulista Logos Engenharia. Meses depois, o contrato social da empresa sofreu alterações. A D.G.W. Participações, de propriedade do empresário paranaense e aliado político do governo do Estado, Donato Gulin, passou a fazer parte da sociedade.


