Requião quer reeditar apoio de 2002 na campanha deste ano
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sexta-feira, 09 de junho de 2006
Janaina Garcia<br> Reportagem Local 
Na segunda visita a Londrina em um período de oito dias, o governador Roberto Requião (PMDB) afirmou ontem que gostaria de ver reeditada a composição partidária que o elegeu no segundo turno da eleição de 2002. Na ocasião, o peemedebista recebeu apoio de diversas correntes, entre as quais a do PT, para derrotar o então candidato do PSDB para o Palácio Iguaçu, o senador Álvaro Dias.
Apesar de lideranças peemebistas e tucanas no Estado darem por quase certa uma aliança para o governo ou para o Senado, enquanto outras tendem ao apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no plano nacional, Requião disse que ainda não definiu uma posição pessoal sobre o assunto. ''Gostaria muito que fosse a mesma composição que me elegeu no segundo turno passado, mas a questão nacional depende da posição dos candidatos: tenho uma discordância absoluta com a política econômica do PSDB nacional, e também com a do (ex-ministro da Fazenda) Antonio Palocci; quero transformações'', declarou. Segundo o chefe do Executivo estadual, serão ''os compromissos de campanha que definirão minha participação pessoal'' mas admite que não há exatamente uma união dentro do PMDB para definir a questão.
Nem mesmo a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de revalidar as antigas regras de verticalização (as quais estabelecem que as coligações nacionais sejam respeitas nos estados) foi capaz de unir o PMDB em torno de um consenso, na avaliação de Requião. Para ele, a sigla está dividida no apoio a PT ou PSDB, apesar de serem os compromissos de campanha os responsáveis pela decisão pessoal dele. ''Por ora, apenas defendo a mudança da política econômica'', desconversou.
A agenda em Londrina durou a manhã toda e prosseguiu à tarde em Jaguapitã e Porecatu, ainda no Norte. A lista extensa de compromissos começou logo cedo, com participações ao vivo em rádios locais. Em seguida, Requião inaugurou o novo reservatório da Sanepar, obra executada em parceria com a Caixa Econômica Federal (CEF) e orçada em R$ 1,647 milhão. Dali, partiu junto com a comitiva de secretários e deputados para as obras de duplicação da Avenida Carlos Strass, na Zona Norte, e depois à Casa de Detenção Provisória, que tem previsão de ser inaugurada no próximo dia 27 de agosto. Conforme o chefe do Departamento Estadual de Construção, Obras e Manutenção (Decom), Walmir Matos, o prédio vai abrigar 960 presos em situação provisória, já julgados e presos especiais.
No evento da Sanepar, também na Zona Norte, o governador não escondeu o tom de campanha nos discursos nem o prefeito Nedson MIcheleti (PT). Até o presidente estadual do PT, André Vargas, foi ao microfone agradecer o ''belíssimo trabalho'' desempenhado pelo governo estadual nas parcerias com a União. Nedson e o governador, mais uma vez, afinaram o discurso contra uma possível privatização da água em Londrina referência à proposta de alguns vereadores, ano passado, de que o novo contrato do saneamento (atualmente na sexta prorrogação emergencial com a estatal) exigisse concorrência pública. Para o prefeito, o acordo com a Sanepar já é certo.
''Tivemos um debate político na cidade sobre a (contratação da) Sanepar, mas face os invetimentos, essas vozes já se calaram. Hoje temos como vitoriosa a posição de que a estatal vai continuar'', antecipou o prefeito. ''Louvo essa resistência do Nedson contra a picaretagem da privatização; Londrina não ganharia nada com isso, mas as quadrilhas de mensalões, seguramente seriam remuneradas'', discursou o governador. Em seguida, se ateve aos números de investimentos do Estado na cidade, nesses quatro anos de mandato, e à justificativa de não ter cumprido pelo menos um compromisso da campanha de 2002: o fim do pedágio. ''Mas temos 38 ações contra essas empresas'', ressalvou.


