Curitiba - O governo do Paraná está disposto a brigar na Justiça com o banco paulista Itaú para recuperar créditos tributários no valor total de R$ 1,8 bilhão. Segundo o governador Roberto Requião (PMDB), os créditos foram repassados indevidamente ao Itaú em outubro de 2000 gestão Jaime Lerner (PSB) , quando o Banestado foi leiloado.
''Todos os estados brasileiros, quando venderam seus bancos, tiveram a seu favor créditos tributários, que foram abatidos da dívida com o Banco Central ou passaram para a titularidade do Estado, para serem abatidos da dívida'', declarou o governador, durante a reunião do secretariado, ontem pela manhã. ''No nosso caso, R$ 1,8 bilhão foi doado ao Itaú sem abatimentos'', emendou Requião. O governador disse ainda que o Itaú já teria usado R$ 1,7 bilhão desse total.
O governo estadual vai procurar o Ministério da Fazenda e o Banco Central, na tentativa de reaver os créditos. Caso não tenha sucesso, o Estado vai brigar na Justiça pela restituição dos valores, assegura Requião. Ele lembrou que o Banestado foi vendido por R$ 1,6 bilhão, e o Itaú ainda levou R$ 1,8 bilhão em créditos tributários.
O procurador-geral do Estado, Sérgio Botto de Lacerda, está encarregado do assunto. Segundo Botto de Lacerda, foi criado um grupo de estudo específico para esse caso, envolvendo técnicos da Fazenda, da Procuradoria Geral do Estado (PGE) e também o Ministério Público (MP). ''Vamos agora aprofundar os estudos sobre esses créditos que não foram computados na venda do Banestado ao Itaú. Se não conseguirmos uma solução rápida, vamos à Justiça'', disse Botto de Lacerda, em entrevista à Folha.
De acordo com sua assessoria de imprensa em Brasília, o Banco Central só vai se manifestar quando receber uma solicitação oficial do governo do Paraná. Os secretários Heron Arzua (Fazenda) e Eleonora Fruet (Planejamento e Coordenação Geral) têm hoje reunião com o ministro da Fazenda, Antonio Palloci. Eles esperam resposta a uma série de pedidos feitos pelo governo. Botto de Lacerda, que já está em Brasília desde ontem, também deve participar da reunião. A questão dos créditos tributários pode ser abordada.
A Folha procurou o ex-secretário da Fazenda Giovani Gionédis, que comandou a privatização do Banestado no governo Lerner, para comentar a posição do governador em relação aos créditos. A Folha deixou recado no celular, mas Gionédis não retornou a ligação. No final da tarde, a assessoria de imprensa do Itaú informou apenas que o banco não vai se manifestar sobre as declarações de Requião.

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