Curitiba - O governador Roberto Requião (PMDB) se animou com a decisão do Uruguai que estabeleceu, após um plebiscito, água e saneamento como bens que devem ser administrados apenas pelo poder público. O governador do Paraná anunciou ontem que vai encaminhar à Assembléia Legislativa um projeto proibindo a privatização da exploração e distribuição da água no Estado. O projeto alteraria a Constituição Estadual.
A proposta promete render polêmica, pois deverá mexer com interesses comerciais, mobilizar ambientalistas, políticos e a sociedade organizada. Ainda mais considerando as projeções de escassez de recursos hídricos.
Em setembro, Requião esteve no Uruguai liderando uma missão empresarial e aproveitou a ocasião para conversar sobre o projeto. ''Desde o Direito Romano a água é um bem que fica fora dos interesses comerciais. Água não pode ser privatizada, não pode ser objeto de lucro, não pode ser explorada por empresas privadas que só pensam em ganhar dinheiro'', disse Requião.
''Esse plebiscito acompanha os mais contemporâneos debates sobre o uso da água no planeta. A nossa posição, mantida com firmeza, está avançando não só no Brasil, mas no mundo inteiro'', emendou.
Requião aproveitou para fazer um apelo aos prefeitos eleitos: que só renovem o contrato de concessão com a Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) após incluir uma cláusula que estabeleça que a concessão só vale enquanto a Sanepar for gerida pelo governo do Paraná. A Sanepar tem como sócio do Estado o grupo privado Dominó. A holding é formada pela construtora Andrade Gutierrez, banco Opportunity, Companhia Paranaense de Energia (Copel) e por um grupo francês.
''Senão a água passa a ser um objeto de exploração acessível aos mais ricos e proibitiva aos mais pobres. E a água transformada em objeto de lucro vai aumentar as doenças por falta de saneamento básico'', afirmou Requião.

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