Requião quer PMDB mobilizado
O senador Roberto Requião (PMDB) criticou ontem a proposta do governador Jaime Lerner (PFL) de transferir ativos de empresas estatais do Paraná para o controle do Fundo de Previdência, que está em vias de criação. O Fundo vai vender as ações para pagar os aposentados. O que ainda resta vai acabar rapidamente. É só questão de meses, declarou o senador.
Derrotado por Lerner nas urnas em 4 de outubro, Requião está apelando ao PMDB para que o partido se organize contra qualquer tipo de comercialização de ações de estatais. Para o senador, a última operação financeira realizada pelo governo, no dia 25, por meio da Paraná Investimentos, e cuja arrecadação ficou em R$ 72 milhões, poderia ter sido melhor.
Pelos cálculos de Requião, as ações que restaram da Copel rendem no máximo R$ 400 milhões para os cofres do Estado. Se no último leilão o volume comercializado foi de 14%, sobram ainda 40% de ações para serem transacionadas. Se a operação for a mesma (arrecadar a metade com a opção de resgate em troca da outra metade), não ultrapassa R$ 200 milhões, disse.
No meu governo, nunca vendi ações abaixo do valor patrimonial, afirmou, referindo-se às ações da Telepar comercializadas durante seu governo, de janeiro de 1991 a abril de 1994. O destino do Banestado e de estatais como a Copel e a Sanepar foi selado com a vitória apertada de nosso opositor. O povo do Paraná concordou com o governo Lerner, disse.
Atendendo à orientação de Requião, o PMDB pretende, depois do feriado de Finados, movimentar a Assembléia com pedidos de informações sobre o processo de privatização do Banestado e operação de ações da Copel. Não somos informados de nada e a cada dia que passa mais e mais vendas ocorrem, reclamou o líder do PMDB, Orlando Pessuti.
O deputado adiantou que a oposição quer ressuscitar a comissão especial, criada em 1995, para acompanhar a venda de ações da Copel. Essa comissão tem que prestar contas, cobrou Pessuti. Valdir Rossoni (PTB) e Nelson Justus (PTB) são os dois representantes do governo na comissão. Ângelo Vanhoni (PT) e Caíto Quintana (PMDB) pediram desligamento.
Justus disse que só participou de uma reunião muito tempo atrás. Ele não soube precisar se, para a última operação realizada na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), algum dos parlamentares foi consultado ou chamado pelo governo. Fiquei na Secretaria (da Indústria e do Comércio) por muito tempo e estou por fora, justificou.
O governo reage às críticas. O secretário do Governo, José Cid Campêllo Filho, disse ontem que a transferência de ativos para o Fundo de Previdência não significa venda de ações ou dilapidação de patrimônio. As ações servirão apenas para viabilizar o Fundo. Não somos irresponsáveis e teremos imóveis e outros recursos como garantia, afirmou.
O governador Jaime Lerner tem uma avaliação oposta à de Requião. No seu entendimento, deslocar ativos de empresas estatais para o Fundo de Previdência valoriza as ações. Num pronunciamento feito durante a semana, o governador afirmou que pretende levar adiante a idéia de colocar ações no Fundo. A matéria deve ser encaminhada depois do feriadão para a análise dos deputados.Requião:No meu governo, nunca vendi ações abaixo do valorLeandro Donatti





