O relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Títulos Públicos, senador Roberto Requião (PMDB-PR), afirmou ontem que não pretende se submeter a prazos determinados para a elaboração do seu parecer. Ele defendeu a prorrogação dos trabalhos da comissão, que encerraria seus trabalhos no dia 22 deste mês, mas preferiu esquivar-se da definição do tempo necessário à conclusão das investigações.
‘‘Acho muito difícil concluir agora o relatório, pois ainda faltam dados, e quem tem pressa come cru’’, alegou Requião (foto), que passou o final de semana em Brasília, às vésperas dos depoimentos de representantes de grandes bancos na comissão. O senador disse ter considerado inicialmente interessante a prorrogação dos trabalhos da CPI por 45 dias, sugerida pelo presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), mas preferiu não assumir um compromisso com esse prazo. ‘‘Não é impossível que conclua o trabalho em 45 dias, mas também posso precisar de 60’’, argumentou.
Requião informou que não vai mais apresentar um relatório preliminar à comissão, como havia imaginado anteriormente, e adiantou que vai discutir com os integrantes da comissão, nesta semana, o prolongamento dos trabalhos. O senador acredita que poderá dispor de mais elementos para aprofundar as investigações depois dos depoimentos de hoje dos presidentes do Bradesco, da Caixa Econômica Federal e do Banco Multiplic.
‘‘Os depoimentos darão transparência ao processo de investigação’’, previu Requião. ‘‘Assim como os anteriores, os depoentes vão ter que se explicar, pois houve um roubo no mercado e eles são os compradores finais’’, recordou.
O relator da CPI considerou exagerada a repercussão da quebra do sigilo bancário, fiscal e telefônico do prefeito de São Paulo, Celso Pitta, no período de 1995 a 1996. Ele lembrou que a comissão decidiu igualmente quebrar o sigilo de oito outros secretários e ex-secretários de Fazenda e de Finanças de Estados e municípios que vêm sendo investigados. ‘‘Não quebramos o sigilo de Pitta, mas de todos’’, afirmou.
Entre os atingidos pela decisão da comissão encontram-se o atual secretário de Fazenda do Estado de São Paulo, Yoshiaki Nakano; o secretário de Fazenda de Santa Catarina, Paulo Prisco Paraíso; e Eduardo Campos, secretário de Fazenda de Pernambuco e neto do governador Miguel Arraes. Eles são acusados de ser responsáveis pelo lançamento irregular de títulos para pagamento de precatórios.

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