O senador Roberto Requião (PMDB) disse ontem que conclui neste final de semana estudo detalhado sobre a utilização de urnas eletrônicas no processo de votação. Requião quer aprovar no Senado projeto de lei que discipline o uso das máquinas. A idéia é garantir a lisura do processo, evitando fraudes. ‘‘A segurança do voto eletrônico é tratada ainda com muita ingenuidade’’, classificou.
Um mecanismo de segurança que deve constar do projeto-lei do senador foi implantado em 1996, quando o voto por computador se restringiu a Curitiba e Londrina. Os votos eram impressos paralelamente à urna e depositados num saco plástico conectado à máquina. Havendo dúvida nos dados do disquete, a mesa poderia fazer a conferência com os votos impressos. Nas eleições deste ano, o procedimento não foi adotado.
O estudo de Requião é baseado em apontamentos feitos pelo engenheiro paulista Amílcar Brunazo Filho. O engenheiro levantou pontos para engrossar a tese de que o sistema de votação por computador não é 100% confiável e dá brechas para desvio de votos. ‘‘Mesmo depois de analisado o código compilado, um vício de funcionamento pode ser introduzido junto com os dados, nomes dos candidatos e dos eleitores’’, observou.
Faz dois anos que Brunazo Filho levou a discussão das urnas à Internet, a rede mundial de computadores. Para o técnico, o tempo dado pela Justiça Eleitoral aos partidos impede análise mais apurada sobre a confiabilidade do sistema. ‘‘O disquete que é inserido na urna cria uma condição especial de teste que difere da condição normal de operação, invalidando completamente o teste como garantia de idoneidade’’, ponderou. (L.D)

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