Os advogados da coligação ‘‘Mais Paranᒒ, integrada pelo PMDB-PT-PDT, ajuízam hoje à tarde no Tribunal Regional Eleitoral (TRE), em Curitiba, ação de impugnação contra o registro da chapa do governador Jaime Lerner. A equipe jurídica do senador Roberto Requião considera ilegal a mexida consumada por Lerner no dia 3, quando Emília Belinati (PTB) voltou à condição de candidata a vice-governadora e o ex-governador Paulo Pimentel (PFL) foi afastado da chapa. Emília queria concorrer ao Senado e Pimentel a vice.
A ação tem de ser protocolada até às 19 horas de hoje. Os juízes do TRE têm até o dia 13 de agosto para decidirem se acatam ou não os argumentos levantados pelo PMDB. Lerner pode recorrer ao TSE. A equipe jurídica de Requião distribuiu nota ontem afirmando que houve ‘‘fraude’’ nas atas que registraram a escolha de candidatos e que só poderia haver a substituição em caso de renúncia formal ou de morte, o que não ocorreu.
Os advogados de Requião dizem ainda que alguns partidos da coligação de Lerner indicaram em suas atas candidatos diferentes da chapa oficial anunciada. Eles não citam quais as siglas.
Abuso do poder econômico é outro ponto ressaltado na ação. Os ‘requianistas’ apontam propaganda da montadora francesa Renault, veiculada na mídia nacional no começo da semana, como prova da exacerbação em favor de Lerner. ‘‘Além de publicidade explícita do governo, a propaganda da Renault debocha da legislação eleitoral, já que o anúncio é assinado com a marca da administração Lerner, a mesma marca presente em toda a propaganda oficial’’, consta na nota. ‘‘A publicidade estatal está vedada desde o dia 3 passado. A propaganda da Renault é uma tentativa de burlar a legislação’’, emenda.
O terceiro ponto da ação de impugnação diz respeito aos gastos do governo com publicidade e propaganda.
A assessoria da Renault em São Paulo disse ontem no início da noite à Folha que as peças publicitárias veiculadas em mídia não têm conotação político-eleitoral. Segundo a Renault, as peças fazem parte de um plano de mídia da montadora, fechado ainda no final do ano passado e que em momento algum a campanha institucional tenta favorecer o governador do Paraná e sua performance eleitoral. ‘‘O texto não fala no governador, mas mostra os benefícios decorrentes da escolha do Paraná como sede da fábrica. Estamos a cinco meses da inauguração da fábrica que produzirá os primeiros carros em série’’, rebateu a assessoria da multinacional.
O Palácio Iguaçu também promete reagir à ação de Requião. Os aliados de Lerner aguardam a ação de Requião desde a semana passada, quando os peemedebistas sinalizaram que iriam questionar a ‘mexida’ de chapa. O secretário do Governo, José Cid Campêlo Filho, disse desconhecer o conteúdo da ação, mas que nada de irregular foi cometido e que a oposição tenta ganhar a eleição no ‘‘tapetão, sem apresentar propostas sérias para o Paranᒒ.

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