Requião quer exonerar presidente da Fundação Copel
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quarta-feira, 11 de novembro de 2009
Maigue Gueths e Rosiane Correia de Freitas<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O governador Roberto Requião (PMDB) anunciou ontem, durante a reunião semanal da Escola de Governo, que deve pedir a exoneração do presidente da Fundação Copel, Edilson Bertholdo. Segundo Requião, Bertholdo teria agido por ''ignorância absoluta ou má-fé mesmo'' contra a determinação do líder do Executivo de que a Fundação, juntamente com a Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa), deveriam adquirir a participação do Previ - fundo de previdência dos funcionários do Banco do Brasil - na Terminais Portuários Ponta do Félix S.A..
A Ponta do Félix tem um contrato de arrendamento para operar terminal portuário público em Antonina. O Previ tem 43% de participação na empresa e já havia manifestado interesse em vender suas ações do porto. Segundo o superintendente da Appa, Daniel Lúcio Oliveira de Souza, a Appa tentou negociar diretamente com o Previ a compra das ações. A última conversa entre as duas instituições teria acontecido na sede do Previ na semana passada, no Rio de Janeiro. O fundo, no entanto, comunicou a Appa no último dia 6 de que a venda para um grupo privado já havia sido concretizada.
Ontem ninguém na Fundação Copel quis comentar a fala do governador. Segundo a assessoria de imprensa da Copel, o presidente da empresa pode sugerir a nomeação ou exoneração de dirigentes da Fundação, mas a decisão final é do Conselho Deliberativo da entidade. Nem a Fundação, nem a Copel quiseram adiantar se Bertholdo continuará no cargo.
A Fundação Copel administra o fundo de previdência de funcionários da empresa e de outras instituições, como a Compagás e o Lac Tec. A participação do fundo em empresas como a Ponta de Félix é parte da política de administração dos recursos depositados na entidade.
Requião havia determinado na reunião de governo do último dia 27 de outubro que a Fundação e a Appa comprassem as ações do Previ, uma vez que a primeira detinha, por ser acionista do porto, direito de preferência na compra das ações. Mas, segundo o governador, o presidente do fundo teria enviado correspondência ao Previ na qual abriu mão do direito de preferência em favor da Appa, o que deixou o fundo do Banco do Brasil livre para concluir a negociação com outra empresa.
''Eles se reuniram, o Porto declarou a intenção de compra e, de repente, o gestor da Fundação Copel manda uma carta para o Previ abrindo mão da opção preferencial de compra. Não comprando, abrindo mão do direito de preferência, pois o Porto tinha a intenção de comprar. Mas, o Porto não tinha direito de preferência, não era sócio do empreendimento'', relatou.
A intenção do governo do Estado era fazer com que a Appa e a Fundação Copel tivessem o controle acionário do terminal de Antonina para que o porto da cidade voltasse a ser público.
''Eu determinei que as fundações e o Porto de Paranaguá, no momento em que o Previ tentava vender suas ações para um grupo privado, definitivamente, comprassem a participação e integrassem esse terminal ao Porto de Paranaguá. E ele poderia funcionar magnificamente uma vez que o Porto de Paranaguá é um sucesso'', afirmou Requião.
Além de pedir a exoneração de Bertholdo, o governador também pediu apoio para a abertura de uma CPI - Comissão Parlamentar de Inquérito na Assembleia Legislativa para investigar o assunto. E pediu ajuda do Ministério Público na análise do caso. ''Estou determinando à Ouvidoria do Estado, à minha bancada e convocando a oposição. Por que não fui só eu que fui contrariado nesse processo. Foi o interesse público que foi ferido de morte'', reclamou.
Segundo Souza, da Appa, a aquisição do Ponta do Félix pela Fundação Copel iria tirar o terminal da ociosidade em que ele se encontra hoje. O porto de Antonina está praticamente parado. ''Desde o início deste ano tenho me manifestado, publicamente, a respeito das indefinições entre os acionistas, o que estava prejudicando o crescimento do terminal de Antonina e da cidade. Cheguei a cogitar, até mesmo, a rescisão contratual do arrendamento para transformar aquele terminal no novo porto público de Antonina'', relembrou.


