Curitiba - O governador Roberto Requião (PMDB) protagonizou ontem momentos de ironia e críticas sutis ao que chamou de tentativa de amordaçar o governador do Paraná. A reunião semanal do secretariado foi transmitida ontem pela Rádio e Televisão Educativa (RTVE) sem som - em referência ao Tribunal Regional Federal (TRF) da 4 Região, que proibiu-o de fazer promoção pessoal ou críticas contra desafetos nos veículos de comunicação do Estado. No meio da tela, uma faixa com os dizeres: ''censurado pelo desembargador Edgard Lippmann Júnior''.
Requião conseguiu driblar a decisão judicial, já que não foi intimado oficialmente. Com isto, falou o que quis na transmissão ao vivo e sem cortes de som pela Rede Mercosul de Televisão, de propriedade do empresário Luís Mussi (secretário especial de Governo). ''Não posso admitir que um desembargador ache que não posso defender os interesses do povo do Paraná. Será que ele quer que eu comemore uma derrota para o Estado com um lual?'' Um vídeo com a defesa de líderes católicos, sindicais, jornalistas, políticos e estudantes foi apresentado para o secretariado. ''O Ministério Público quer acabar com as minhas críticas a qualquer citação contra instituições. Isso significa que não posso fazer críticas nem ao meu próprio governo, se assim achar que devo'', desabafou. Na ação, Lippmann define multas por desobediência de R$ 100 mil e, no caso de reincidência de R$ 500 mil.
Requião fez provocações ao desembargador Lippmann. Convidou para que o magistrado fosse até a reunião debater a censura e a democracia no Brasil. As críticas não pararam por aí. Requião lembrou o tempo da ditadura, em que os jornais eram censurados e tinham que colocar receitas de bolo nas capas por conta dos espaços que sobravam nas editorias. ''Eu vou começar a dar receitas aqui na escola de governo. Hoje eu vou ensinar a fritar ovos. É uma técnica. Não é qualquer pessoa que faz com qualidade.''
Indagado sobre o convite, o desembargador respondeu que ''não seria prudente ir a um local e aparecer em uma televisão que está sendo questionada.'' (Com Agência Estado)

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