Requião promete retaliação se PT apoiar Osmar Dias
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segunda-feira, 15 de março de 2010
Rosiane Correia de Freitas<BR>Equipe da Folha 
Curitiba- Em mais um round na briga com o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo (PT), o governador Roberto Requião (PMDB) afirmou ontem que se o PT apoiar o senador Osmar Dias (PDT) para a disputa do governo do Estado nas eleições de outubro, o PMDB paranaense irá apoiar José Serra (PSDB) à Presidência de República. ''(Orlando) Pessuti (vice-governador e pré-candidato do PMDB ao governo) terá o apoio de Lula ou PMDB-PR apoiará Serra. Gostemos ou não esta é a realidade do Paraná''. disse o governador, via Twitter.
A declaração acontece três dias depois de o próprio Requião declarar apoio à ministra Dilma Rousseff durante evento com o presidente Lula na Refinaria Presidente Getúlio Vargas. Durante discurso para funcionários da empresa, Requião - que foi vaiado pela plateia - fez uma brincadeira e disse que ''nóis (sic) já tá tudo combinado''.
Em conversa com o deputado federal André Vargas (PT), também via Twitter, Requião voltou a cutucar Paulo Bernardo. Vargas afirmou que Lula poderá apoiar dois candidatos no Estado: Pessuti e Osmar. ''Ficamos assim: o Paulo Bernardo apoia o Osmar e o nosso Lula apoia o Pessuti'', respondeu Requião.
Vargas afirmou, ontem à imprensa, que o presidente Lula pode apoiar dois candidatos no Estado. Mas criticou a postura de Requião. ''Ele só atrapalha o Pessuti. Tudo que ele faz é contra o Pessuti'', disse. ''Num dia ele diz na frente do Lula que vai apoiar a Dilma, depois diz que vai de Serra?''. questionou.
No sábado, em encontro promovido pelo PMDB em Curitiba, o governador se mostrou empolgado com a candidatura de Pessuti ao governo. ''O PMDB e o Pessutão vai (sic) ganhar esta eleição e sinto cheiro de vitória no primeiro turno'', disse. Requião também admitiu que sua pré-candidatura à Presidência não será bem-sucedida e assumiu a pré-candidatura ao Senado.
As declarações do governador reforçam os boatos de que ele pode liberar os filiados do partido para apoiar quem quiserem na eleição deste ano. Enquanto isso o vice-governador Orlando Pessuti (PMDB) tem dito que não descarta alianças com nenhum partido, inclusive PDT e PSDB, mas também ''não teme uma candidatura puro-sangue''. ''Nas últimas sete eleições que o PMDB disputou sozinho, saiu vitorioso'', declarou.
O presidente do PT-PR, deputado estadual Ênio Verri, recebeu com ceticismo as declarações de Requião. ''Não acredito que ele vá apoiar o Serra. A concepção de desenvolvimento da economia do Serra é do Estado mínimo. O Requião defende o papel do Estado na garantia da Justiça Social. Seria uma contradição'', disse. ''Não acredito que aos 70 anos ele vá colocar isso no currículo'', completou.
Segundo Verri, o diálogo do PT com o PMDB ''não pode parar''. Mas o partido descarta conversar com Requião. ''A conversa é institucional. Talvez, quando o Pessuti assumir como governador diminua a tensão'', apostou. O deputado adiantou que esta semana os secretários de Estado Lygia Pupatto (da Ciência e Tecnologia) e Walter Bianchini (da Agricultura) deixam o governo. No início do mês a Executiva Estadual do partido determinou que os filiados ao partido deixassem a administração estadual.


