Curitiba - O governador Roberto Requião (PMDB) firmou um ''compromisso público'' ontem durante a Escola de Governo de que mandará ''assar um porco no rolete debaixo da marquise do Museu Oscar Niemeyer'' (onde são realizadas as edições da Escolinha) caso a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que prevê a divulgação de todos os gastos do poder público no Estado seja aprovada pela Assembléia Legislativa. A chamada ''PEC da Transparência'' foi enviada pelo Executivo à Assembléia na última segunda-feira em resposta à determinação judicial que obrigava o governo a divulgar informações relativas às despesas com cartões corporativos.
Requião pediu à platéia do auditório uma salva de palmas para o líder da oposição na Assembléia, deputado Valdir Rossoni (PSDB), ao informar que teve notícia de que a bancada oposicionista pediria ainda ontem regime de tramitação de urgência à proposta. Mais tarde, durante entrevista coletiva, o governador disse que Rossoni não tem ''estatura moral'' para criticar os gastos do governo, uma vez que fora líder do governo passado, ''que gastou R$ 28 milhões em verbas de gabinete'', segundo Requião.
O governador provocou o líder da oposição, dizendo que Rossoni deve ao governo R$ 28 mil devido aos gastos com cópias de documentos enviados na última segunda-feira à Justiça. A determinação judicial que resultou no envio de mais de 240 mil páginas contendo informações sobre despesas com viagens de todos os órgãos do Executivo ao Tribunal de Justiça do Estado foi provocada por um mandado de segurança pedido pelo deputado tucano. ''Queremos transparência absoluta não só do Executivo'', disse Requião. ''Vamos detalhar as informações que já estamos dando, as diárias de viagens, mês a mês'', completou. O governador disse também que serão publicadas as folhas de pagamento de todos os funcionários públicos do Estado.
Requião afirmou ainda que o governo do Paraná tem um único cartão corporativo, dele próprio. ''Jamais usei esse cartão em cinco anos. Não tirei nenhuma diária. É um cartão virgem'', declarou.
Rossoni afirmou que a ''verdadeira intenção'' do Executivo ao apresentar a PEC é ''desviar o foco''. Segundo o tucano, a PEC só foi elaborada porque o Judiciário obrigou o Estado a prestar informações sobre o uso dos cartões corporativos à bancada da oposição. ''O governador quer que eu crie polêmica em cima da PEC, mas eu vou votar a favor dela e colaborar para que seu trâmite seja rápido. O nosso foco são os cartões corporativos e a minha função é fiscalizar. Acho que a transparência deve ser cobrada sim, mas não vamos ser guiados pelo Requião'', disse.
Rossoni também criticou o fato do governador ter disponibilizado ''120 caixas'', com papéis relativos aos cartões corporativos, somente ao Judiciário, e não à bancada da oposição. ''Ele está se fazendo de desentendido, pois ele tinha que mandar os documentos para mim'', afirmou.
(Colaborou Catarina Scortecci/Equipe da Folha)

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