Curitiba - O governador Roberto Requião (PMDB) tomou posse na manhã de ontem prometendo radicalizar. Com um discurso duro contra os adversários no processo eleitoral deste ano e contra a imprensa paranaense, Requião se definiu como um governador de esquerda. Ele garantiu que irá investir R$ 1,3 bilhão na diversificação da agricultura e na industrialização da produção agropecuária. Prometeu ações voltadas a programas de irrigação noturna, de compra de maquinários agrícolas e de agroecologia. ‘‘Nos próximos quatro anos, vamos radicalizar na opção pelos pobres. E não é um governo de centro-esquerda, não. Não venham com esses centrismos, com esse equilibrismo. Somos sim um governo de esquerda porque ser esquerda é ser solidário, fraterno, humano. É ser gente. É ter os olhos, a alma e o coração voltados para as desigualdades e as misérias do mundo.’’
  Requião criticou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pela interpretação equivocada que teria com relação aos governos de esquerda. ‘‘E que a má interpretação ou a distorção daquilo que disse o presidente Lula não sirva de pretexto para que alguns neguem o lado em que nos posicionamos.’’ O governador deu demonstrações de que não fará acordos. Seja com a mídia, seja com políticos adversários. ‘‘No processo eleitoral, não demonstraram nenhuma cordialidade, fizeram de tudo para que fôssemos esmagados, liquidados. Discursavam com gosto de sangue na boca, com punhal entre dentes. Não estou aqui lamentando fatos. São coisas da vida e eu as registro. Certamente, para desagrado de alguns companheiros que chegaram a pedir que fizesse um discurso de conciliação, de congraçamento, de paz. É a velha história de sempre. O mito da cordialidade.’’
  O governador também dirigiu críticas à mídia paranaense. ‘‘Inflamaram a população com a prisão do Rasera, dizendo que ele fazia escutas de dentro do Palácio Iguaçu. Mas a mídia pela primeira vez foi questionada e derrotada. Pois vou dar um choque de moral na mídia do Paraná. Não haverá mais dinheiro para a mídia do Paraná pelos próximos quatro anos. Esses recursos usarei para programas sociais. Será um ato inédito no Brasil. Mas meu currículo já suporta isso. O Paraná precisa se transformar num parâmetro de conduta para o Brasil’’, disse Requião, num discurso de improviso. Segundo o governador, hoje seis redes privadas controlariam 667 veículos de comunicação no Brasil, chegando a 87% dos domicílios do País.
  Requião prometeu investir nos salários do funcionalismo –principalmente dos professores da rede pública estadual do ensino. Disse ainda que radicalizaria na defesa do meio ambiente. ‘‘Não consideraremos nem cederemos às pressões do capital para dar licença a devastação ambiental. A vida está acima do lucro imediato.’’
  A posse de Requião e do vice-governador Orlando Pessuti ocorreu na Assembléia Legislativa. A cerimônia demorou pouco mais de uma hora. A música de campanha de Requião nas eleições do ano passado ‘‘Me chama que eu vou’’, abriu a solenidade. Autoridades do Executivo e do Legislativo e até opositores históricos, como o ex-prefeito de Londrina e deputado estadual eleito Antonio Belinati (PP), estiveram na posse.

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