A 30 dias das eleições, o candidato do PMDB, senador Roberto Requião (PMDB), se prepara para afiar ainda mais o discurso contra o governador Jaime Lerner (PFL) e o desafia para participar de debates. ‘‘É obrigação de todo homem público participar dessas discussões para sofrer questionamentos’’, disse à Folha o secretário-geral do PMDB, José Maria Correia. A estratégia dos ‘‘lerneristas’’ é adiar ao máximo a definição se Lerner participa ou não de debates. Extra-oficialmente, o governador já teria confidenciado que não está disposto a aceitar porque sai em desvantagem com a incontinência verbal do senador Requião.
A partir de hoje, o programa do PMDB no horário gratuito promete ampliar as críticas ao governo. No programa de quarta-feira, Requião apontou a artilharia contra o pedágio e na semana anterior, investiu no volume gasto pelo governo em publicidade - R$ 334 milhões.
Mas o último mês da campanha não será só de ‘‘língua ferina’’. Requião pretende fazer 40 comícios - 20 deles com o cantor Jair Rodrigues. Outro artista de renome está sendo sondado, mas o secretário-geral do PMDB faz suspense. O senador também pretende intensificar visitas, carreatas e reuniões. Três dias por semana, a campanha será na capital e nos outros quatro, no interior. ‘‘Nesse mês teremos três vezes mais atividades do que em agosto’’, afirma Correia.
Ele diz que a ‘‘nova fase’’ da campanha já está nas ruas, com ‘‘mais gente contratada e voluntária’’. Correia estima que existem pelo menos 4 mil pessoas envolvidas. ‘‘Contra a campanha milionária da situação, fazemos uma campanha mais criativa, com militância’’.
Correia diz que a sensação da campanha é de ‘‘otimismo e vitória’’, em clima que lembra 1982 ‘‘quando enfrentávamos máquina do governo, mas vencemos com Richa, do velho MDB, derrotando o Saul Raiz, que era apoiado pelo Ney Braga’’.

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