Irado com as acusações feitas pelo chefe da Casa Civil Rafael Greca (PFL), que o responsabiliza e ao senador Osmar Dias (PSDB) pelo bloqueio dos empréstimos externos do Paraná, e com as declarações favoráveis do ministro da Administração Luiz Carlos Bresser Pereira ao governo do Estado, o senador Requião disse ontem que o governador Jaime Lerner (PFL) terá dificuldades para a liberação dos pedidos junto à CAE (Comissão de Assuntos Econômicos). ‘‘Se ele (Lerner) pensa que filiado ao PFL terá só vantagens, as coisas não são bem assim. Tenho certeza que os senadores sérios do PFL não vão usar os empréstimos como moeda de troca pela filiação’’, aposta.
Segundo ele, ‘‘será uma irresponsabilidade absoluta o Senado liberar o dinheiro para o Paraná, que terá de dar contrapartidas numa situação financeira complicada. Vai quebrar e virar uma Alagoas’’. ‘‘Se em 95 o comprometimento com a folha de pagamento foi de 72%, imaginem o desse ano’’, diz. O senador acusa a equipe de Lerner (leia-se Rafael Greca e os secretários da Fazenda Giovani Gionédis e do Planejamento Miguel Salomão) de não entregar os balanços do governo de 96 e do primeiro semestre de 97. ‘‘O governador precisa parar de ser frouxo e acabar com essa desorganização’’, afirma.
Requião reconhece que o volume de arrecadação no atual governo triplicou, mas aponta o aumento do número de cargos em comissão como o principal motivo para o ‘‘inchaço’’ na folha. ‘‘Herdei 152 cargos em comissão e nunca consegui preenchê-los. O atual governo criou 642 novos cargos e a folha de pagamento, que na minha época comprometia de 58 a 60% das receitas, pulou para 95%’’, acusa. O governo não confirma os números divulgados pelo senador. A secretaria da Fazenda informa que os salários dos servidores consomem 78% das receitas tributárias.
O senador afirma que já tem um cálculo extraoficial do quanto se gasta com salários ao mês no governo Lerner. ‘‘Enquanto a minha maior folha de pagamento foi de US$ 78 milhões, a dele (Lerner) nesse mês deve chegar a US$ 260 milhões. O governo precisa acabar com o excesso de cargos em comissão’’, sugere Requião. Ele deixou claro ontem durante a sua palestra na PUC-PR que é favorável a manutenção dos cargos em comissão. ‘‘Fui prefeito e governador e sei o quanto é necessário. O que não pode haver são abusos’’, discursou. (L.D)

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