Curitiba - A disputa eleitoral terminou. Entrentanto, as provocações entre o governador Roberto Requião (PMDB) e o prefeito de Curitiba, Beto Richa (PSDB), estão cada vez mais acirradas. Logo após o resultado das urnas, Requião disse que nomearia Doático Santos (PMDB) para ser o assessor especial do governo do Estado na fiscalização das obras feitas em parceria com a Prefeitura de Curitiba. Doático é antigo inimigo político de Beto. Foi ele quem levou o PMDB a apoiar o deputado Angelo Vanhoni (PT) para a Prefeitura de Curitiba em 2004. Ele também ocupou papel de destaque nas negociações entre o PT e o PMDB no segundo turno, levando os dois partidos para uma união na última semana de campanha eleitoral.
O vice-prefeito de Curitiba, Luciano Ducci, considerou ontem a ilação do nome de Doático para a assessoria especial de Requião como uma brincadeira. Ducci apoiou Requião no primeiro turno na disputa pelo governo do Estado e ficou neutro no segundo turno a pedido de Beto Richa. ''Foi só uma brincadeira do Requião. Acredito que passado o período eleitoral, superando esses dias iniciais, tudo voltará ao normal. Temos necessidade de uma integração entre prefeitura e Estado para que a população seja beneficiada'', analisou Ducci.
Mas não foi brincadeira. Ontem mesmo, Doático foi comprar o capacete para iniciar a fiscalização das obras feitas pelo município em parceria com o governo do Estado. ''Já comecei a traçar um cronograma de visitas para verificar cada uma das obras feitas em parceria pelo Estado. São R$ 500 milhões em investimentos. Iremos cobrar que o cronograma seja respeitado e que as obras sejam feitas com qualidade. Vou fazer uma fiscalização rígida e consistente. Não vou ser enrolado pela turma do Beto'', disse Doático.
Beto Richa, que ontem voltou ao trabalho após 14 dias de licença para trabalhar nas campanhas de Osmar Dias (PDT) e de Geraldo Alckmin (PSDB), reagiu às provocações de Requião. ''Ele (Doático) não serve nem para ser servente de pedreiro. Quanto mais para vistoriar obras'', criticou.
Beto chamou Requião para uma nova conversa política com o intuito de aparar as arestas e reiniciar o bom relacionado que os dois tinham antes do período eleitoral. ''Não vou discutir com o cachorro (se referindo ao Doático). Vou falar com o dono do cachorro.'' Doático reagiu e disse que Requião estava certo. ''Esse é um tom discriminatório de um menino criado em berço de ouro. Eu sou filho de trabalhador. Ele (Beto) é um menino muito mal educado''.
As provocações continuaram. Doático ''comemorou'' a vitória com um foguetório em frente à Prefeitura. ''Ele (Beto) é pé-frio. Perdeu com o Osmar e perdeu com o Alckmin.''

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