O candidato a vice-presidência da República pelas oposições, ex-governador Leonel Brizola (PDT), e o candidato ao governo do Paraná, senador Roberto Requião (PMDB), se ofereceram ontem como testemunhas de defesa de Luiz Inácio Lula da Silva, no processo Telebrás em que Lula é processado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) por calúnia. Requião endossou as declarações feitas por Lula, de que o resultado da venda da estatal para a iniciativa privada pode sustentar o ‘caixa 2’ da campanha de FHC.
Brizola lembrou que já no primeiro dia que soube do processo de Fernando Henrique, se propôs a ser processado junto com Lula. O candidato à presidência pelo PT disse que ainda não foi intimado pela Justiça de São Paulo e que está acompanhando o desenrolar do processo pelos jornais. ‘‘Proponho que se crie uma comissão de arbitragem com representantes dos dois lados, para investigar a questão. Eu continuo sentindo cheiro de maracutaia’’, disparou. Lula sugeriu ao governo federal que suspenda o processo de privatização até as eleições de outubro.
‘‘Para que tanta pressa, oitenta dias antes das eleições?’, questionou. ‘‘O presidente tenta fazer agora o que não fez em 1.200 dias e se transformou em homem de promessas, mas não é pagador e sim caloteiro de promessas’’, completou o petista. Conforme Lula, a manutenção da Telebrás nas mãos do Estado é ‘‘estratégica’’ para o desenvolvimento e segurança nacionais. Ele comparou o sistema de telecomunicação brasileiro com a Nasa, dos Estados Unidos. ‘‘Os norte-americanos nunca vão privatizar a Nasa porque sabem que é estratégica para o País’’, comparou Lula.
Requião não antecipou o que poderia ter para sustentar a defesa de Lula, apenas baseou sua argumentação em conversas com políticos em Brasília, uma delas com o senador José Eduardo Vieira, presidente nacional do PTB.
O candidato ao governo pelo PMDB afirma que os senadores Wilson Kleinubing (PFL-SC) e Esperidião Amin (PPB-SC) e o presidente nacional do PT, José Dirceu, também participaram das conversas. ‘‘Eles não vão se importar de confirmar o que ouviram’’. Conforme Requião, uma parte da história o senador José Eduardo já contou numa entrevista ao ‘Correio Braziliense’.
O senador se referiu à entrevista concedida por José Eduardo em junho, revelando ao jornal de Brasília um pouco dos bastidores da campanha presidencial de 94. (L.D)

mockup