Curitiba - Na primeira coletiva de imprensa depois do resultado das eleições, o governador reeleito Roberto Requião (PMDB) voltou a atacar, ontem à tarde, o grupo político do ex-governador Jaime Lerner (PSB), que apoiou seu adversário Osmar Dias (PDT), e a imprensa. Requião recebeu os jornalistas no Salão dos Governadores, no Palácio Iguaçu, cercado de secretários e assessores. Ao comentar a diferença entre os números apontados pelas pesquisas de opinião e o resultado das urnas no domingo, Requião disse que valeria a pena uma investigação.
Mostrando-se irritado, apesar de ter vencido a disputa, Requião afirmou que durante o período eleitoral sua aprovação foi maior, assim como na boca-de-urna, que lhe dava seis pontos de vantagem. Mas, na apuração final dos votos, o peemedebista teve apenas 10.479 votos de diferença sobre o candidato do PDT. O governador licenciado apontou a ''incoerência'' dos resultados e disse que isso seria um caso para estudo. Ele cogitou duas hipóteses: ou houve confusão por parte do eleitor na hora de votar (o voto para governador vinha antes do voto para presidente), ou, conforme Requião, teria ocorrido um ''desvio de padrão''. ''Não tenho opinião formada sobre isso, mas esse caso deveria ser estudado, vale a pena a investigação.''
O governador destacou durante a coletiva que a eleição foi uma ''batalha'' e que enfrentou ''jogo duro''. ''Enfrentamos uma campanha dura. Eles (Osmar e seu grupo político) queriam desconstruir a imagem do governo. Não tiveram limites, foi uma sucessão de mentiras'', declarou. Criticou também o grupo que apoiou Osmar Dias por ter privatizado o Banestado, a Sanepar e tentado vender a Copel.
Ao comentar o fato de ter perdido nos grandes centros, Requião afirmou que um dos maiores investimentos do Paraná foi feito em Londrina, onde Osmar ficou com 71% dos votos, e ele obteve 28%. Na cidade (que é o segundo maior colégio eleitoral do Estado), Requião disse que acredita haver um ''problema de comunicação''.
O peemedebista ainda disparou contra a imprensa. Requião não concorda com a postura editorial de alguns veículos de comunicação em relação a seu governo e não perdeu a oportunidade de deixar isso bem claro quando jornalistas faziam perguntas. Ao ser questionado sobre o novo secretariado, por exemplo, Requião sugeriu, ironicamente, que colocaria um empresário de comunicação como secretário de Estado.
Sobre sua relação com o presidente Lula (PT), também reeleito, Requião disse esperar uma redução na carga tributária. No primeiro governo, Requião foi crítico da política econômica de Lula. Tanto em 2002 como este ano, os dois se apoiaram. Desta vez, porém, Lula e Requião se declararam aliados apenas no segundo turno. Requião deve conversar com Lula nos próximos dias. ''Os contrapontos serão eliminados'', comentou o peemedebista.
Requião não quis responder a mais de uma pergunta por veículo de comunicação. O clima chegou a ficar tenso e o cerimonial anunciou o fim da entrevista.
O peemedebista só deve reassumir o governo em quatro ou cinco dias. O deputado estadual Hermas Brandão (PSDB) continua como governador em exercício.

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