Curitiba- O governador Roberto Requião (PMDB) anunciou ontem que pediu ao Ministério Público Federal (MPF) que investigue uma proposta de construção de um ramal ferroviário no Paraná. Requião acusa o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo (PT), de ter tentado superfaturar o projeto em 2004 em favor da empresa América Latina Logística S/A (ALL). Apesar do anúncio, o MPF não confirmou ontem ter recebido o documento.
Junto com o pedido de investigação foram encaminhados documentos que comprovariam que o próprio Ministério do Planejamento havia avaliado a obra em R$ 220 milhões, mas cerca de um ano depois o trecho foi orçado por R$ 540 milhões, para inclusão no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). ''Queremos descobrir por que uma obra, em tão pouco tempo, subiu tanto de preço'', explicou o advogado do governador, Leônidas Chaves Filho.
Requião também pediu ao MPF que investigue a atuação do atual diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Bernardo Figueiredo, no caso. ''Fizemos um histórico dele para apresentar ao ministério público'', relatou Chaves Filho.
A tentativa de superfaturamente teria acontecido durante uma visita de Paulo Bernardo a Requião em 2004. Na conversa com o governador, o ministro teria explicado que um acordo com a ALL permitira a construção da ferrovia. Em troca, a empresa deixaria de pagar o aluguel pelo uso da RFFSA - Rede Ferroviária Federal -, um valor anual de cerca de R$ 52 milhões. Requião, no entanto, só trouxe o caso à tona no início deste ano, quando passou a responder críticas do ministro contra a atuação do governo estadual junto ao governo federal.
O advogado do ministro, Luiz Fernando Pereira, classificou a iniciativa do governador como ''inútil''. Há cerca de 20 dias o próprio Paulo Bernardo esteve no MPF para solicitar uma investigação sobre o caso. Ele também está processando Requião por danos morais. ''Estamos só aguardando a renúncia dele para protocolar a ação criminal'', adiantou Pereira.

mockup