Requião pede auditoria na Sercomtel
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segunda-feira, 21 de março de 2005
Janaina Garcia<br> Reportagem Local 
O governador Roberto Requião (PMDB) determinou uma auditoria na Sercomtel para apurar ''problemas de gestão''. A declaração foi dada à rádio Paiquerê AM de Londrina no final de semana, antes de seguir para a China em missão comercial. Os problemas estariam na parceria entre a empresa e a Companhia Paranaense de Energia Elétrica (Copel) que, desde 1998, detém 45% do total de ações. Os outros 55% pertencem a Prefeitura de Londrina.
A informação foi reiterada ontem à tarde pelo vice-presidente da Sercomtel, Oscar Alberto Bordin. O cargo dele é um dos dois a que a Copel tem direito na parceria. A Sercomtel participa com cinco diretorias. Na avaliação de Bordin, a estatal quer ''uma participação maior na gestão da empresa'' para compensar um investimento de US$ 150 milhões feito no início do processo, há sete anos. Na entrevista à rádio, Requião afirmou ter recebido informações que não teria gostado, para justificar a auditoria pretendida.
''Como acionistas também temos o direito de opinar nas questões do grupo, o que não tem acontecido há algum tempo'', enfatizou Bordin. Um desses pontos, completou, diz respeito à criação de sete cargos comissionados no início deste ano, aprovados na assembléia de acionistas de janeiro. ''Não é só isso, mas com certeza influenciou. A medida foi tomada à completa revelia dos nossos acionistas, como tem ocorrido outras vezes'', criticou.
Mesmo reclamando do que avalia como pouca participação da Copel ou falta de diálogo nas decisões internas, Bordin nega que a reclamação tenha qualquer caráter político. Ainda assim, ele destacou como ponto de discordância, ''unilateralidade'' ou ''falta de consenso'' o nome de Luiz Chiroma na diretoria administrativo-finaceira. ''O nome dele não foi tirado de comum acordo. Se não houver esse consenso entre os parceiros vai haver onde, na Justiça?'', sugere.
Bordin minimizou o pedido de auditoria considerando que ele estaria relacionado ao baixo retorno financeiro obtido pela Copel ao longo dos anos. Ele diz que a estatal não descarta um rompimento com a telefônica, se não houver mudanças na gestão. ''O governo quer uma alternativa de gerenciamento que valorize um negócio que, em 2004, nos deu menos de 1% de retorno financeiro. É menos que a poupança'', criticou.
Amanhã, o diretor de Gestão da Copel em Curitiba, Luiz Antonio Rossato, vem a Londrina para uma assembléia de acionistas marcada para as 14 horas, na sede da Sercomtel. ''Discutiremos de que forma queremos gerenciar a empresa'', adiantou Bordin.
O presidente da Sercomtel, João Rezende, reconheceu haver hoje divergência de interesses, mas salientou que ''a Sercomtel está aberta a qualquer auditoria''. ''A Copel tem acesso a qualquer dado aqui e tem dois membros no Conselho de Administração. Mas, pelo retorno financeiro que ela espera, não compensaria mesmo o negócio'', apontou.


